O silêncio das palavras

Silêncios são pequenos mundos, e sempre os imaginei em preto e branco. Hoje, percebo que são coloridos, em tons particularmente fortes, ainda que levemente acinzentados. Uma questão de preferência mesmo. São vivos, únicos, e exprimem tudo que as palavras não conseguem transmitir — seja porque são limitadas, seja porque não consigo dizê-las.

O meu silêncio fala de medo, de inseguranças e de certezas. Ele não fala de passado, deixou-o para trás. Está preocupado com o agora. Com o morar por uns segundos no seu abraço apertado; com o suspiro que sussurra que adoro você; com aquele toque que me causa friozinho na barriga; com o olhar em seus olhos e sorrir, porque estou feliz. Nesses momentos, ele é entrega.

Admito que ele também parte de uma habilidade em aprimoramento, a de falar sobre o que sinto sem medo da resposta (verbal ou não) e, talvez, um pouco do receio de acabar julgada e limitada por palavras que não farão jus à realidade. O silêncio me assusta tanto quanto as palavras, ainda que por motivos diferentes.

Minhas palavras são medidas. Quero que caibam sem exageros, mas sem demonstrar menos. Elas são todas estudadas e, às vezes, fico incerta sobre como serão entendidas. Assim como o silêncio, elas podem ser interpretadas de múltiplas formas, e não quero que o espantem para longe de mim.

Silêncios são pequenos mundos. Coloridos em tons fortes, ainda que levemente acinzentados. Preferência minha. Mas são essas palavras, cuidadosamente escritas, que dizem tudo que preciso dizer.

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