[Entrevista] Michael Barakiva

Michael Barakiva é diretor de teatro, escritor, professor e blogueiro. Seu primeiro romance, o LGBT One Man Guy, cuja resenha você confere em primeira mão aqui, foi lançado no Brasil este ano pela editora LeYa. A edição ficou linda e o livro é maravilhoso!

Beletristas Você disse nesta entrevista que está pensando em escrever outro livro junto ao seu editor, com a personagem Seth, que aparece em One Man Guy. Podemos esperar outro romance com temática LGBT?
Michael Barakiva Eu tentei escrever uma história sobre Seth (e, sim, LGBT) logo após One Man Guy (OMG) ter sido lançado, mas não deu muito certo. Tive uma ótima ideia para a personagem principal, mas não consegui pensar nas sub-narrativas e personagens secundários, então meu editor e eu concordamos que era melhor deixar a ideia de lado por um tempo e ver o que mais posso escrever.

B Você também disse o quanto gosta de ler livros com certa mágica, e que os acaba lendo mais que o gênero young adult. É verdade que você está escrevendo um livro sci-fi, mas por que decidiu começar com um gênero que não te interessava tanto quanto outros?
MB Essa é uma ótima pergunta, Camille, e penso nela o tempo todo. A primeira resposta é que existe uma diferença entre a arte que nós gostamos de criar, a arte que gostamos de assistir e a arte que somos bons criando – sei disso porque sou diretor de teatro. Como não tive nenhum treinamento para me tornar escritor, a ideia de tentar escrever já foi intimidante o suficiente. Se tivesse tido que criar um mundo, com suas regras relacionadas a ciência e magia, não tenho certeza se teria “chutzpah” (coragem/audácia) para ir até o final.
Então optei por escrever o mundo mais familiar para mim: o enrustido e infeliz dos subúrbios de uma grande cidade.

B Uma das coisas que mais gostei quando li One Man Guy foi o quanto a narrativa foi realista e natural. Alek chama a atenção por ser quem é, pela sua personalidade cativante, não por ser ou não gay. Foi proposital essa não inserção da personagem em uma categoria?
MB Estive em um painel young adult ontem à noite e nós falamos muito sobre isso: personagens LGBTQ são, é claro, definidos por sua sexualidade de alguma forma. Mas como qualquer outra pessoa, suas vidas têm muitas outras coisas acontecendo: o relacionamento com seus amigos, seus pais, seus hobbies. Da mesma forma que personagens héteros não são totalmente definidos por sua sexualidade, meu editor e eu não quisemos que Alek fosse definido assim. Por isso ser Armênio é uma parte grande do livro.

B Qual foi a cena mais difícil de escrever no livro? Por quê?
MB A última cena do livro foi a mais complicada de escrever para mim, por algumas razões. A primeira delas é que eu fiquei tentando escrever um jantar festivo realístico, mas escrever sobre personagens comendo comida e tentar fazer isto soar atrativo foi impossível e horrível. Por isso decidi escrever sobre eles cozinhando. Comida é uma grande parte da minha vida e eu quis invocar estes gostos, cheiros e a experiência sensorial de estar na cozinha.
Estruturalmente, esta cena precisou trazer tudo junto, e foi preciso muito malabarismo para descobrir como fazer isso.
*Alerta de spoiler* A maior revelação, que transformou o enredo, e que até veio um pouco tarde, é que Alek estava disposto a sacrificar a festa se seus pais não deixassem Nanar ir. Em todas as outras incarnações, eles não queriam deixar Ethan ir, mas quando percebi que o problema que eles tiveram foi com Nanar, foi possível permitir que Alek sacrificasse a festa para a sanidade de seu irmão, e este ato foi muito mais altruísta que sacrificar tudo por conta dele mesmo.

B A continuação de One Man Guy vai ser publicada? O que podemos esperar dela?
MB Estou trabalhando nela. Veremos se alguma coisa boa sair. [A continuação] Terá temas similares aos do livro OMG (ser Armênio, os subúrbios, apaixonar-se pela primeira vez), mas espero que tenha temas mais profundos e sombrios também, como traição e vingança.

B Li em seu perfil do Goodreads que você vive em Hell’s Kitchen. É impossível não perguntar: como é morar tão perto do Daredevil? (haha)
MB Para ser honesto, nunca vi o Daredevil [Demolidor] pela vizinhança. Mas tem esse advogado realmente gostoso e cego com óculos vermelhos que está sempre representando pessoas pobres de graça….

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