Resenha | Sra. Poe, de Lynn Cullen

Sra. Poe
Autor(a): Lynn Cullen
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 400
Avaliação: 4.7
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Sra. Poe traz Edgar Allan Poe para uma ficção pautada na realidade, ainda que a autora admita que há controvérsias a respeito do relacionamento de Poe com Frances Osgood. E é esse respaldo histórico que nos mantém presos a uma história maravilhosamente escrita sobre uma das figuras mais, talvez, obscura da literatura.

Edgar Allan Poe acaba de lançar O Corvo, um poema longo e aclamado pela crítica e pelos leitores. Por onde se anda, querem ouvi-lo recitar e falar “Nunca mais!”. Poe, entretanto, continua produzindo, mas nada chega a tal perfeição e sucesso. Em casa, sua esposa, uma prima com metade da sua idade, está doente. Tem tuberculose, incurável na época e, portanto, uma sentença de morte.

É em um dos círculos literários e sociais que ele conhece Frances Osgood, mãe de duas meninas incrivelmente fofas, cujo marido deixou-a para pintar (e ficar) com outras mulheres. Ela não é exatamente uma admiradora de seu trabalho, mas é a única que ele elogia. Ele gosta de seus poemas e seus escritos.

Do elogio, o contato entre os dois fica mais intenso. Toques simples, mas capazes de fazer seus corações despertarem. Ela é tudo que ele esperava, mas ficar juntos não é uma possibilidade em uma época na qual o divórcio não era socialmente aceitável, e sim um sinal de fracasso. E, assim, um relacionamento às escondidas se inicia. Um relacionamento que, se tratando de Poe, estava fadado a não ser um mar de rosas.

Sra. Poe tem, claramente, uma perspectiva histórica, com cuidadosos estudos sobre o que poderia de fato ter acontecido na vida de Poe. A partir de biografias, cartas e escritos, Lynn Cullen narra uma história na qual ficção e realidade se encontram para tentar desmistificar um pouco a figura de Edgar Allan Poe. E atinge o objetivo, ainda que, ao mesmo tempo, desperte ainda mais interesse sobre sua vida.

O desenvolvimento das personagens é impecável e, por se passar em 1845, extremamente pautado em opiniões alheias. Tudo era questão de imagem, mesmo quando uma ou outra personagem feminina abandona sua pose submissa e se coloca à prova num feminismo ainda iniciante. Gosto do fato de isso estar presente nas falas, sempre bem construídas.

Em uma nota, a autora esclarece sobre a pesquisa e fala sobre o quanto acredita que o que ela criou poderia ter acontecido, mesmo se não estiver, de fato, na história real. E pode mesmo, conseguimos ver a figura de Poe de outra forma, de um jeito mais compatível com como ele era visto e quisto.

Sra. Poe me conquistou pela temática, desenvolvimento e personagens. Não é um livro para se ler em um dia, mas quando terminamos, com o coração um pouco pesado talvez, sabemos que foi uma ótima escolha de leitura.

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