Resenha | Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur

Mais que um simples livro de poesias (e algumas prosas poéticas) dividido em quatro partes — dor, amor, ruptura e cura —, Outros Jeitos de Usar a Boca é um relato de uma mulher que, desde menina, aprendeu que a vida não é fácil, que as pessoas nem sempre são gentis e que o amor nem sempre é eterno.

Cru do início ao fim, não importa se a poesia é formada por duas, três, cinco ou mais linhas. Rupi Kaur consegue ser direta, intensa, verdadeira e realista a cada página, encantando pela honestidade de suas falas, pela firmeza de seus sentimentos e pelo crescimento como mulher. Estou falando de amor próprio, de entendermos de verdade que precisamos ser completos antes de ser complemento, de entendermos que dependência nunca foi uma coisa boa.

Kaur traz para o debate temas como abuso sexual e psicológico, dependência afetiva, relacionamentos, alcoolismo e, por fim, amor-próprio. É um livro que, ao meu ver, pode funcionar como ensaio para temáticas que vão além das anteriormente citadas. Não tem como não ser (e o é com muito orgulho) um livro feminista, escrito por uma mulher que reconheceu seu valor e sabe seu potencial.

Uma mulher que não perde tempo negando quem é, nem sua origem, muito menos suas dores, vontades e desejos. Não nega o que deu certo, muito menos o que deu errado. Ela não se vê perfeita, ideal, mas se vê, bem… mulher. E entende que precisa agradar primeiro a si mesma antes de tentar agradar ao outro.

Para mim, Outros Jeitos de Usar a Boca foi, em muitos momentos, identificação. E algumas frases eram exatamente o que, em momentos passados, eu precisei ouvir e ninguém me disse. Sobre o hoje ser difícil, sobre não desistir, sobre ter força pra levantar. Outras falaram diretamente com meus medos e minhas inseguranças, sobre como ninguém escolhe ficar. E certezas que eu também aprendi com o tempo — elas dizem respeito também a nunca, jamais pedir para alguém ficar.

Um livro que fala de gentileza ao mesmo tempo que admira como algumas pessoas conseguem doar tanto sem esperar nada em troca. E como esperar algo em troca é normal (e necessário) em alguns casos. É a diferença, que inclusive gerou uma discussão com uma amiga, entre o querer e o precisar; é a ilusão que nos foi passada sobre como o amor deve ser, e como a desconstruímos até chegar no que acreditamos hoje.

Sem dúvida, um livro que entrou para os favoritos, e que merece ser relido.

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