E o verbo se fez rock!

Nas andanças da vida costumo dizer que a música é minha companheira mais acolhedora e fiel. Desde que me entendo por gente, meus ouvidos abraçam os mais exóticos gêneros musicais, mas, dentre todos, o vínculo com o rock continua sendo o mais intenso e presente.

É algo até difícil de explicar a forma com que seu som consegue me afetar. A harmonia de guitarra, bateria, baixo e um poderoso vocal me enleva a um estado transcendental. Me desligo do mundo e um misto de emoções conflitantes tomam conta de mim, porque ao mesmo tempo em que são raivosas, tomadas de determinação e fúria, são cadenciadas por um sentimento de esperança, de entusiasmo e alegria.

Não é à toa que as melhores sensações e lembranças que tenho foram ir aos shows de minhas bandas favoritas. Foi como se minha existência se realizasse naquele momento, o ápice de todas as emoções já sentidas. Me revigora, me enfurece, me desperta.

E além disso, possibilita a união de diversas pessoas que compartilham com sua paixão, usando camisas, colares, bottons, vivências e trocas. Sobretudo, trocas sobre até outras bandas com outras vertentes.

Por isso que nunca consegui entender muito bem porque alguns (nem todos, vale lembrar) protestantes abominam o rock, denominado-o como “o som do capeta”. Talvez devido à postura e características de algumas bandas/artistas do rock que não são bem aceitas pelos preceitos cristãos, mas classificar todo um gênero como se fosse algo perverso, ruim, indigno, é inaceitável e até injusto.

As mensagens contidas nas letras, melodias e ritmos da maioria das bandas de rock são carregadas de críticas, ódio, pensamento crítico, uma vontade enorme de provocar e questionar o convencional; mas também pode servir como porto seguro de angústias, medos, traumas, incertezas.

Enquanto redigia este texto, soube que um dos meus ídolos preferidos do cenário do rock veio a falecer. Apesar do choque e da tristeza que me arrebataram durante todo o dia, sei que, ao botar para tocar suas músicas, serei confortada e consolada pelo seu legado deixado, que tanto o ajudou a enfrentar os percalços da vida. E a mim também.


Por Karine de Andrade
exclusivamente para Versificados

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