Silenciando o amor, que ele grite!

E quando você espera um sinal, uma libertação, quando você espera uma resposta e ela simplesmente não chega. Quando você gosta, ama, mas o outro se cala e você não sabe se há correspondência. Desesperador? Com certeza! O que esperar? O que fazer?

De repente você descobre que nada pode ser feito, você depende da decisão do outro e tudo fica nebuloso. Então sua ansiedade te cobre, retorce sua existência, o que fazer quando não existem conclusões? Quando só o silêncio nos é dado? Tudo que você queria era mais um abraço, mais um beijo, mais uma chance de fazer o outro sorrir.

Migalhas de amor, gestos, o que será que sobrou no coração do outro? Que não diz, não conta, não faz. Será que ainda existe vontade? Em geral o sofrimento é silencioso e quando nos damos por nós é tarde demais ele nos consome e com isso vem a angústia. Não gritamos por socorro e de repente nos encontramos vazios, nos falta um pedaço, me falta um pedaço.

Que saudade das crianças desinibidas que éramos, que diziam tudo, que falavam de sentimentos sem censura, sem medo, sabíamos dizer eu ainda te amo, eu ainda te quero e agora afastados, frios, calculistas, choramos, esperamos, uma esperança que se protege no silêncio do não dizer, mas a saudade ainda berra e também o meu desejo por você.

Me sinto protegida e em perigo ao mesmo tempo, e não ser impulsiva, não me descontrolar, não fazer o que quero, não deixar essas palavras doces de amor atravessarem minha garganta quase fechada, por ter que fazer a manutenção do amor próprio, tornam o silêncio resplandecente e brilhoso mas ao mesmo tempo destrutivo e extremamente doloroso.

Como eu queria poder falar, como eu queria poder te amar, como eu queria que você me salvasse da minha dor. Você continua sendo a razão do meu viver e eu continuo amando você, mesmo de longe, mesmo em silêncio. Não sei até quando vai durar, não sei se dizer vai valer, mas em silêncio não quero mais ficar, preferia trocar as palavras não ditas por mais um dia com você, por mais um sorriso nos seus lábios que eu vou saber que fui eu que causei.

Que a esperança que mora em mim se transforme em palavras e ecoem em futuro. E que ninguém mais se machuque e que os nossos corações possam pertencer de novo a nós dois, juntos sempre fomos mais felizes, apesar de tudo o que passou, sempre fomos mais plenos na companhia um do outro, fomos base, fomos complemento, fomos companheiros. O silêncio é nossa maior tristeza, o silêncio é a nossa censura de amar e quero que ele vá embora e então nos dê espaço para nosso próximo capítulo. Porque eu ainda acredito, eu ainda Te Amo. Acho que isso é um pra sempre Te Amo.

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