A dualidade das pessoas

Quando eu assistia algum filme, série ou novela, na maioria das vezes sempre ficava do lado dos mocinhos, porém isso vem mudando um pouco. Acho que depende do vilão e depende do mocinho.

Hoje, na verdade, tudo depende, meu humor, meu momento, minha vida, meu pensamento. Dependendo do mocinho (se for muito lerdo, mais lerdo que eu, e olha que eu sou MUITO lerda) começo a ficar irritada. Sério, isso de ser bonzinho demais, ingênuo demais, me deixa extremamente estressada, e isso faz com que o personagem seja algo utópico, o que foge muito da realidade. Ser um poço de maldade também é meio estúpido, pelo menos pra mim. Sempre tem alguma coisa boa lá no fundo.

Acho que estou muito na vibe revoltada e questionadora ultimamente, cansada de clichês, “nhê nhê nhê” e simplesmente perdi a paciência para mesmices e essas coisas muito comuns e que costumam agradar todo mundo. Cansei de coisas muito “utópicas” e muito “distópicas”, extremos. Quero coisas cruas, reais, dois lados, que me façam refletir. Chega de 100% bruxa ou 100% princesa. Chega de perfeição, simplesmente chega!

Outro dia tava assistindo uma série e um dos personagens principais que eu até curtia fez uma besteira, muito grave. Isso me deixou com tanta raiva que eu torcia pra darem um fim nele. Achei tão idiota o que ele fez que isso me consumiu de certa forma, e por mais que ele depois virasse um mocinho de novo simplesmente não engoli a ideia nem as atitudes dele e só desejava que ele saísse da série. Bom, felizmente (pra mim pelo menos) ele saiu. Calma, não vou revelar o personagem nem a série rs.

Ele era um dos mocinhos e depois disso comecei a vê-lo como um certo tipo de vilão. Na verdade acho que foi isso que a série resolveu fazer (várias séries tentam fazer isso), mostrar que mesmo sendo uma pessoa boa e que fez algo que acreditava que era justo se mostrou irracional na sua escolha e cego de ódio. Uma escolha que colocou todos aqueles que amava em perigo e custou sua própria vida.

Várias vezes me peguei pensando em como ele foi tão idiota e o quanto eu desejava que ele saísse da série e, sinceramente, quando ele se foi, comecei a refletir e pensar muito sobre isso. Não que isso diminuísse o meu desejo pelo personagem sumir dali, mas me causou um impacto de certa forma.

Aliás, eu acabei de provar isso. Simplesmente deixei de ser boazinha a partir do momento em que desejei que ele desaparecesse da série. Isso já me torna uma pessoa menos boa. Não importa o quanto você seja bom, qualquer pensamento que você tenha que vá contra essa ideia de um ser “utópico” já refuta o pensamento de que alguém é sempre bom ou é sempre ruim. Seres humanos não são utópicos. É impossível ter somente um dos lados.

Basta olhar pra você mesmo nesse exato momento e avaliar todos os seus pensamentos e atitudes. Sempre, bem ali no fundo, por mais que seja pouco, vai haver um resquício de que você não é perfeito e nunca vai ser inteiramente bom ou mau. Porque isso faz parte de você, de mim, e de todo mundo.


Por Letícia Capuano
exclusivamente para Versificados

Resenha | O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

O Morro dos Ventos Uivantes é um dos livros mais famosos da literatura e sua leitura é perturbadora. Ao longo dessa resenha, pretendo demonstrar, logicamente não da mesma forma e nem no mesmo nível que Brontë, como é essa reação. O desenrolar da história ocorre quando o Sr. Lockwood, inquilino de Heathcliff, chega ao Morro […]

Vilões, mocinhos e você?

No mundo da fantasia, é fácil identificar os vilões, são ladrões, bandidos, pessoas simplesmente perversas, que não medem esforços pra conseguir o que querem. Mas afinal de contas quem somos nós nesse mundo? E essa tal de maldade de onde vem? Seria ela um sintoma ao invés de algo genuíno e por assim dizer, original? […]

Resenha | O Enigma de Blackthorn, de Kevin Sands

Christopher é aprendiz de boticário. Seu mestre, Benedict Blackthorn, é diferente dos demais. Apesar de ter passado 11 anos no orfanato, Christopher tem sorte. Ele não apanha, o que seu amigo Tom acha injusto, e ainda recebe lições especiais, como, por exemplo, aprender a descriptografar uma frase escrita em números. A história se inicia com […]

Os 13 Porquês: vale a pena assistir?

Adaptada do livro de Jay Asher (confira resenha), lançado pela Editora Ática aqui no Brasil, Os 13 Porquês é a nova série da Netflix. A história é contada por Hannah Baker, uma garota que, antes de se suicidar, grava fitas com os 13 motivos que a levaram a cometer o suicídio. Essas fitas vão parar […]

Resenha | Para Educar Crianças Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em Enugu, mas cresceu em Nsukka, sudeste da Nigéria. Aos 19 anos, deixou a mãe e o pai para se mudar para os Estados Unidos, para estudar na Universidade Drexel, na Filadélfia, e, mais tarde, transferiu-se para a Universidade de Connecticut. Para Educar Crianças Feministas é uma carta para uma amiga […]

Pai Vilão

— Obi-wan me contou tudo! — Contou? — Contou! — Mas tudo? Assim, tudinho? — Tudo. — Vamos lá, o que aquele jedi decadente e rancoroso contou a você? — Que você matou o meu pai! — Eu não matei o seu pai. — Matou! — Não matei! — Matou! — Não matei, porra! Pare […]

Resenha | A Caça às Bruxas, de Lillian Hellman

O período conhecido como Mccarthismo ou caça às bruxas marcou a década de 1950 nos Estados Unidos. Buscava-se encontrar comunistas presentes no meio artístico dos EUA. A produção fílmica também esteve presa à lógica anti-comunista, em que tentava-se identificar quais elementos de filme podiam ser alguma forma de propaganda comunista. Nesse período, diversos artistas e […]