Resenha | Wytches, de Scott Snyder e Jock

Ao se mudar para Litchfield, New Hampshire, a família Rook espera deixar o passado no passado e recomeçar da melhor forma que puder. Sailor, filha do casal, não acha a tarefa exatamente fácil. Ao lidar com depressão e ansiedade, a jovem não se encaixa na nova escola e não consegue deixar para trás o que aconteceu.

Pior que isso, ela sabe que há algo na floresta. Algo que já tinha mostrado as caras antes, definido seu futuro, transformado sua vida — e não de forma positiva. Algo que a persegue e a tira dos trilhos. Após um episódio particularmente estranho na escola, ela foge. Acaba desaparecida. A mãe se conforma, confia que a polícia local está cuidando do caso; o pai, entretanto, sabe que não pode deixar a filha na mão mais uma vez. Ele precisa fazer alguma coisa.

Wytches é uma história sobre bruxas. Para se entregar à narrativa, entretanto, é melhor que esqueça tudo que sabe sobre elas. Nesse universo, as bruxas são seres que beiram o corpo humano, mas são tão desajustadas que toda sua composição é assustadora: os dentes, as mãos, a cabeça, a forma como andam e como se comportam.

Elas se alimentam de pessoas que lhes foram juradas para morrer, geralmente quando as pessoas em questão ainda são crianças ou jovens adolescentes. Morrem queimadas em um caldeirão. Quando sequestradas, jamais são encontradas vivas. O fato todo mundo conhece: é impossível fugir delas.

Ao misturar passado e presente, a história em quadrinhos explora mais que o terror que essas criaturas carregam consigo, falando também da construção da relação de pai e filha, passando pelas inseguranças, certezas e a necessidade de controlar e proteger.

A edição conta com textos ao final, todos escritos por Scott Snyder, criador do roteiro da HQ. A primeira é uma explicação de como a história surgiu: a ideia, o mistério, um pouco de suspense — até um pouco de terror. Os demais exploram outros traços presentes na história, como a depressão de Sailor e a válvula de escape do pai.

Em meio a esses textos, também é mostrado como os desenhos foram trabalhados de forma a se desenvolverem e transformarem, tornando-se um produto final que explora de forma brilhante as emoções das personagens e as cores dos quadros, fazendo com que o leitor sinta a emoção que a cena quer passar e se envolva em ambientes que não podem ser descritos de outra forma senão creepy, cumprindo exatamente o que promete.

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