A irresponsabilidade de dar título à coisa nenhuma

Da capacidade de não criar agora
O pseudo-poema gargalha de mim
Eu que tola forço uma palavra nascer
Como quem força um vômito
E não comeu nada

Penso na palavra
A mente me dá o não
E o nada
Insisto na palavra
A mente retruca em voz alta:
NÃO!
– protesta, a monossílaba –
Exige seu direito de nesse instante
Permanecer calada


por Bianca Garcia
Diretora editorial da Macabéa Edições, estudante de letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e escritora nas horas em que a palavra permite transcender as linhas do papel. Acredita que o útero é o punho erguido das mulheres na escrita.

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A dualidade das pessoas

Quando eu assistia algum filme, série ou novela, na maioria das vezes sempre ficava do lado dos mocinhos, porém isso vem mudando um pouco. Acho que depende do vilão e depende do mocinho. Hoje, na verdade, tudo depende, meu humor, meu momento, minha vida, meu pensamento. Dependendo do mocinho (se for muito lerdo, mais lerdo […]