Quebra de Padrões em Simon vs. A Agenda Homo Sapiens

Livro Simon vs a agenda Homo Sapiens, de Becky Que Simon vs. A Agenda Homo Sapiens virou nosso queridinho já não é surpresa para ninguém. Mas, quando a Intrínseca sugeriu que debatêssemos alguns aspectos do livro, foi impossível não querer contar mais um pouquinho. E, em meio à escolha do que falaríamos, a quebra de padrões foi automática. Ficamos felizes em informar que, apesar de (muito) difícil, este post está livre de spoilers.

Acho que trazer o tema LGBT ainda é uma bela forma de quebrar padrões, ainda mais quando se volta para um público mais jovem. Mas Simon vs. A Agenda Homo Sapiens inova mais uma vez. Em vez de encontrarmos uma família rigorosa ou religiosa, como acontece em muitos outros livros do gênero jovem adulto, aqui o tema é exposto com muito mais naturalidade.

O problema de Simon não é exatamente o de se assumir para o mundo, de forma que as pessoas possam julgá-lo. Para ele, seus amigos verdadeiros (Leah e Nick, e até Abby) tem muito mais chance de simplesmente aceitar o fato que começar a apontar dedos. O mesmo com sua família, que ele acha que vai reagir de forma a o apoiar ou inventar alguma piada, já que fazem piada com absolutamente tudo.

A questão para ele é ele se considerar pronto para isso frente ao mundo. As coisas, como o próprio livro diz, estão muito mais fáceis que há vinte anos – mas ainda assim é assumir sua identidade frente à vida. Isso nunca é fácil. E ele só quer que o tratem com naturalidade, em vez de fazerem disso um grande caso.

Apesar de ser essa a questão principal – tanto para Simon quanto para Blue – o livro ainda traz uma outra questão que me obriga a citar aqui. E, antes de me voltar ao livro, preciso comentar outra coisa para explicar melhor o que quero dizer.

Faço Letras na faculdade e, uma vez, vi uma espécie de placar. Dos autores que estudamos, quantos deles são homens? E quantos são mulheres? E, por fim, quantos são negros? Não deve surpreender que o número caía absurdamente do primeiro para o segundo. Do segundo para o terceiro também. Acho que o placar pode ser usado para a literatura de outra forma também.

Quantos livros vocês leram nos últimos meses que traziam personagens negras? Quantas delas tinham um papel realmente relevante na narrativa? E não importa o gênero que você pegue, em geral são personagens lindas, magras, fortes e… brancas. Em Simon vs. A Agenda Homo Sapiens não. Abby, por exemplo, é negra.

E achei é como Becky não chamou atenção para isso mais que uma vez, quando todos discutiam sobre seus ancestrais e questionava sobre como todos eles, vindos de lugares tão diferentes, chegaram ali. Abby responde: escravidão. Uma fala que impacta a narrativa e, honestamente, nos dá um tapa na cara quase sutil (daqueles que a gente nem vê).

É isso que esse livro faz. Aborda temas que precisam ser debatidos de forma leve, direta e realista. E é por isso que é impossível não se apegar.

Você já leu a nossa resenha do livro?

Resenha Simon vs. A Agenda Homo Sapiens

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