[Reflexão] O Céu Está em Todo Lugar

O Céu Está em Todo Lugar
Autor(a): Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 424
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

O Céu Está em Todo Lugar foi lançado pela editora Novo Conceito. Naturalmente diferente, pelo menos no aspecto livro físico, seu conteúdo tem semelhanças com outros livros pelo simples fato de falar sobre a morte. Resumidamente, Bailey morreu.

No “plano terrestre” ficaram Lennie – sua irmã -, Toby – seu (ex?) namorado -, Vovó e Big. O livro me gerou uma reflexão porque eu (dentre muitas outras pessoas, claro) já sofri por ficar aqui enquanto outra pessoa não estava mais.

Acho engraçado como a morte soa estranho. Quando se trata de um parente próximo, você a sente de uma determinada forma. No meu caso, custei a começar a pensar que não encontraria mais meu tio na casa dele quando passasse por lá.

É estranho pensar que não existe mais a pessoa que eu conheci, que ela não está juntando pecinhas e criando uma máquina nova – quase como os hackers de antigamente que o livro “Os Heróis da Revolução” (da Editora Évora) fala; e que não está inventando mais piadas, nem indo trabalhar todos os dias.

Lennie demorou a juntar as coisas de Bailey e guardá-las no sótão. Afinal, como se desfazer das coisas de alguém que, por mais que você saiba que está morto, ainda sente que está ali?

E que você ainda quer que esteja ali? Para irmãs, que dormiam no mesmo quarto, a dificuldade de se ajustar a nova realidade, um quarto só seu, pode ser muito mais difícil do que aparenta. E é.

Lembrar de um livro que estava guardado e não poder mais devolver, porque também não interessa à família, que provavelmente jogaria fora, também é mais difícil do que parece.

O tempo não cura tudo. Ele faz com que nos acostumemos com a nova realidade à nossa volta. Lennie fala, já no final: “entendi que Bailey vai morrer todo dia para mim”, e é mais ou menos assim.

Porque estamos fazendo alguma coisa e lembra que a outra pessoa também gostava daquilo, ou então faria completamente diferente, quem sabe acrescentaria algo ou mudaria completamente tudo. E nos lembramos que ela não vai fazer nada daquilo. E então ela morre novamente. Diariamente.

Lennie comete alguns erros enquanto está de luto. Como se permitir ser feliz sem ter aquela pessoa – no meu caso, e no dela também – tão cheia de felicidade? Parece obrigatório sentir dor, chorar, ficar triste porque ela não está mais ali. Não é, é claro.

Temos que ser feliz apesar de tudo, principalmente porque pessoas que nos querem bem – como uma irmã, e um tio – não iam querer algo diferente disso. Entretanto, às vezes, damos de cara com a culpa de estar feliz enquanto deveríamos estar de luto.

Às vezes a culpa de continuar aqui enquanto a outra pessoa não está mais. A culpa de não ter dito mais, feito mais, brincado mais, procurado mais, entendido mais. E lidar com a saudade. A morte é, para mim, um novo recomeço.

Lennie não pensa assim, nem como um fim. Lennie nem sempre aceita a morte da irmã. Lennie teve tempo e reaprendeu a ser feliz, mesmo que a irmã morresse todo dia. Porque a lembrança se torna presencial, importante, e lembrar e imaginar o que a pessoa diria pode também arrancar sorrisos.

O livro é ficção, mas completamente realista. Bailey deixou sua marca, meu tio deixou sua marca, meu professor que se foi recentemente deixou sua marca. O que eles tinham em comum?

Viver com intensidade, e ser feliz.

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