Resenha | A Cidade Murada, de Ryan Graudin

A Cidade Murada
Autor(a): Ryan Graudin
Editora: Seguinte
Páginas: 400
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

A Cidade Murada é uma ficção ambientada em um cenário real.

Isso porque A Cidade Murada realmente existiu, localizada em Hong Kong, na China, a pequena cidade era composta de cerca de 0,026m² e mais de 30 mil habitantes. Semelhante a uma favela, as casas muito simples eram dispostas umas sobre as outras de modo que a luz solar praticamente não incidia no chão imundo da cidade.

Habitada por miseráveis e as piores camadas da sociedade, era comum ver por lá traficantes de drogas e de pessoas, assaltantes, bordéis e crime organizado. Juntamente com o ambiente sujo e mal cuidado, rodeado de pobreza e desespero, é compreensível quando se referem à cidade como o verdadeiro inferno. E esse é o local em que Ryan escreveu o incrível A Cidade Murada.

No livro, conhecemos três personagens principais que descrevem os acontecimentos através de seus próprios pontos de vista intercalados em cada capítulo. Jin Ling, Mei Yee e Dai são três jovens com vidas diferentes, mas ao mesmo tempo bastante semelhantes.

Mei Yee foi levada para a cidade contra a sua vontade, quando seu pai, bêbado e problemático, a vendeu para Longwai em busca de dinheiro para manter seu vício na bebida. Levada para o bordel do maior chefe do tráfico da cidade, Mei Yee é agora obrigada a vender seu corpo aos clientes de Longwai em troca única e simplesmente do teto que cobre o pequeno e bolorento quarto em que é obrigada a dormir e da parca comida que ingere para não morrer de fome.

Jin Ling é irmã de Mei Yee e adentrou-se na Cidade Murada em busca da irmã. Só que antes disso, a menina cortou seus cabelos e passou a vestir-se como um menino, pois sabe que meninas não duram muito na cidade. Há dois anos Jin está a procura de sua irmã. Esteve em diversos becos e bordéis, menos em um. O de Longwai.

É muito complicado infiltrar-se neste, especialmente quando não se tem dinheiro para pagar pelos serviços e a segurança do lugar é extremamente reforçada. Tudo muda quando Jin Ling está em mais um corre, fugindo dos delinquentes de cujo chefe roubou as botas que usa. Dai está sentado em uma lanchonete, fazendo sua refeição, quando avista um Jin passando por ele em incrível velocidade. O menino logo pensa que o incrível corredor que lhe passou como uma flecha poderia servir de ajuda para concluir a missão que o fez inserir-se na Cidade Murada.

Ao convidar Jin Ling para um trabalho que a obrigará a entrar no bordel de Longwai, a menina desconfia de Dai. Essa é uma das principais regras para sobreviver na Cidade Murada. Não confiar em ninguém.

Especialmente quando a pessoa é como o garoto: bem vestido e com o estômago aparentemente cheio. Sem cicatrizes, sem roupas sujas. Mas além de um bom valor por seus serviços, o menino está dando à Jin uma chance sem nem ao menos ter conhecimento disso: a de entrar no bordel.

Com o único pensamento de resgatar sua irmã, Jin Ling resolve deixar as desconfianças de lado e aceita o serviço. É a partir de então que uma série de acontecimentos eletrizantes e angustiantes acontecerão. E que mudarão a vida dos três jovens para sempre.

Ryan Graudin ambientou seus personagens em um lugar que há alguns anos não existe mais, mas o fez com incrível maestria. A cada situação, é possível que o leitor sinta-se imerso na Cidade Murada, junto de toda a podridão e a tristeza presentes por lá.

A autora também desenvolveu muito bem as personagens e suas histórias, de modo que não pareceram contraditórias em momento algum. Mei Yee estava acostumada a ser submissa ao pai, por isso não foi tão difícil acostumar-se ao bordel. Mas mesmo tendo quase tudo o que tinha levado por homens imundos, ela ainda manteve sua dignidade e sua esperança. É muito tocante o quão esperançosa e positiva a menina pode ser apesar de tudo.
Jin Ling aprendeu a ser durona em casa e por isso acostumou-se bem na cidade. Levando surras do pai junto com a mãe e a irmã desde bem pequena, ela soube defender as duas e aprendeu a apanhar sozinha.
Dai, por outro lado, teve uma vida bem diferente da das meninas, mas também soube usar a esperteza e os aprendizados de sua vida de antes da cidade para manipular aqueles que era preciso.

O que mais impressiona em A Cidade Murada, além da história, é a escrita de Ryan. A autora escreve as atrocidades ocorridas nos cenários da cidade de forma poética, repleta de metáforas e sentimentalismo, fazendo com que a leitura seja mais suave e fácil de ser feita.

Por fim, o livro é indicado aos amantes de ficções que trazem reflexões. Em meio ao desespero das personagens, o leitor certamente fará diversos questionamentos acerca da realidade que vivemos agora.

Uma segunda opinião? Vem conferir a resenha de Marcelo Marques

Você já leu mais de um livro ao mesmo tempo? Qual a impressão que você teve ao ler mais de um livro? Bem, se cada livro é um mundo diferente, você certamente se sentira viajando de um mundo para outro e, ao final, tornou-se um vencedor das galáxias! Ou enjoaria de alguma história, desistiria de outra…

Agora, imagine se você pudesse ler três livros diferentes sobre a mesma história. Tá, isso pareceu chato. Então, imagine viver a mesma história sob três perspectivas diferentes (agora sim!).

É isso que Ray Graudin fará por você em A Cidade Murada. No livro você vai viajar entre os mundos de Jin Ling, Mey Yee e Dai. Cada um com sua personalidade, sua luta. Cada visão é um livro que se complementa, se mescla e nos fazem viajar no universo da escritora.

Na história Dai tem uma misteriosa missão cidade murada (Hak Nam) e, por força do destino, acaba encontrando-se com Jin Ling, uma garota que se fez de garoto para se infiltrar na perigosa cidade de Hak Nam e resgatar sua irmã, Mey Yee.

O livro é pautado em dias, 18, que contam o prazo que Dai possui para realizar sua empreitada. À medida que os dias se passam, o livro torna-se mais intenso, você se sente mais íntimo dos personagens.

O mais bacana é que a cidade murada realmente existiu, chamava-se Cidade murada de Kowloon, o que nos faz crer que os personagens e a história narrada realmente existiram. O livro é sensacional!

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