Resenha | A Coragem de Ser Imperfeito, de Brené Brown

A Coragem de Ser Imperfeito
Autor(a): Brené Brown
Editora: Sextante
Páginas: 208
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Quando Brené Brown escreve um livro, é preciso parar para ler. Pesquisadora contadora de histórias, ela explora sentimentos dos quais fugimos sem pensar duas vezes e traz uma nova leitura para cada um deles. Mais que isso, ela propõe que não fujamos, mas que abracemos e possamos entender seus gatinhos e funcionamento em nome de uma vida mais plena.

Soa clichê, não soa? Mas Brené já palestrou em alguns TEDs, e em cada um deles ela conquista as pessoas com histórias que simplesmente não tem como não se identificar. Todo mundo, independentemente da cor e orientação sexual, sabe o que é sentir vergonha. Sabe o que é não se sentir bom o suficiente.

“Vulnerabilidade não é fraqueza; e a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos todos os dias não são opcionais.”

Alguns sabem o quanto isso pode entrar em um ciclo de vulnerabilidade que nos fecha para toda e qualquer experiência em nome de ser forte e firme. Só que… E se for vulnerável não for algo ruim? Em A Coragem de Ser Imperfeito, ela mostra uma nova visão que pode ser (muito) resumida em: quando você vê outra pessoa em um momento de vulnerabilidade, você a julga corajosa ou fraca?

A resposta é a primeira. Fora quem nos julga por nos expor demais, falar demais e sentir demais, estão pessoas que olham e entendem que não é fácil se expor. Não é fácil assumir alguma coisa que nos faz sentir menores e menos preparados. Não é fácil nos colocar numa posição que dá liberdade para outras pessoas rirem, apontarem, sentirem pena ou darem qualquer resposta tão apavorante quanto essas. Essas pessoas são corajosas, e esse é um tipo de coragem para poucos.

“Nossa rejeição da vulnerabilidade deriva com frequência da associação que fazemos entre ela e as emoções sombrias como o medo, a vergonha, o sofrimento, a tristeza e a decepção […] Quando estamos vulneráveis é que nascem o amor, a aceitação, a alegria, a coragem, a empatia, a criatividade, a confiança e a autenticidade.”

Ao longo do livro, Brené fala sobre como a gente precisa confiar nas pessoas e demonstrar o que estamos passando. Não é, obviamente, para você sair falando tudo com absolutamente todo mundo, não é essa a questão, é apenas deixar o medo de lado e não tentar ser à prova de balas, porque ninguém é. Nem eu, nem você, nem ela.

Quando a gente entende que estamos todos no mesmo barco, com medos e inseguranças similares, nos permitimos ser mais autênticos, verdadeiros – conosco e com os outros. É estar inteiro numa situação, sem pensar no que ela pode gerar. E isso, para mim pelo menos, é uma missão tão difícil que precisei largar o livro algumas vezes antes de conseguir terminar.

“Nós gostamos de ver a vulnerabilidade e a verdade transparecerem nas outras pessoas, mas temos medo de deixar que as vejam em nós. Isso porque tememos que a nossa verdade não seja suficiente – que o que temos para oferecer não seja o bastante sem os artifícios e a maquiagem, sem uma edição pronta para exibição.”

Tive crises de ansiedade, tive muito medo e encerrei com muitas certezas. Não daquele tipo que a gente sabe tudo, apenas mais confiante de quem eu sou e que posso me aceitar exatamente assim. É engraçado pensar isso num mundo que estamos sempre tão cheios de camadas que não nos permitimos ser vistos. E, quando permitimos, estamos dando a chance de ser magoados.

Aceitar a dor e as situações não é simples quando você tem planos para tudo e quer as coisas do seu jeito, porque acredita nele. Às vezes, Brené me ensinou, é exatamente isso que precisamos fazer. Claro que, no fundo, você tem uma escolha a fazer: se deixar ser visto e viver de forma mais plena, satisfeito e feliz consigo mesmo, ou se fechar no medo e deixar de lado muitas coisas que poderiam mudar sua vida (para melhor) a qualquer momento.

“Arte é a categoria que mais lembra um ser humano. Esta é a nossa natureza: ser imperfeito. Ter sentimentos e emoções não classificáveis. Fazer coisas que necessariamente não precisam fazer sentido. Uma vez que a palavra arte entra na descrição do que você faz, é quase como ter um salvo-conduto para a imperfeição. Arte é tudo aquilo que é perfeitamente imperfeito.”

Minha escolha já estava feita na primeira página do livro. Agora, só acho que estou de fato um pouco mais corajosa para ser imperfeita.

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1 comentário

  1. Kleris em

    Esse livro é um tapa na cara seguido de um abraço; é babado forte! Brené abriu meus olhos de uma maneira que nem sei dizer… Só sei sentir messssmo. E que mulher maravilhosa! Que livro extraordinário! As passagens ora e outra voltam em gatilhos do dia a dia, mas de uma maneira que faz a diferença. Tbm me causou rebuliços. Como vc disse, a gnt se vê numa missão difícil de realizar, de estar na arena. Estou com o Mais forte do que nunca dela pausado pq MEU DEUS, é tanto tiro! rs São mtas verdades pra assimilar, pra revolver nossas memórias doídas, pra praticar essa vulnerabilidade. Mas, com certeza, são tiros necessários.

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