[Resenha] A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas
Autor(a): John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Avaliação: 4.3
Capa: 4 Diagramação: 4 Conteúdo: 5

Drama com humor e muita realidade.

Quando o livro foi lançado, eu fiz uma promessa para mim mesma: eu nunca, jamais, o leria. Fiz meu namorado prometer que nunca, jamais, iria me dá-lo de presente, mesmo que eu pedisse e implorasse. E, na Bienal de São Paulo, eu achei o preço muito salgaddo para gastar.

Eu não queria ler sobre câncer. Não queria chorar por causa de uma história na qual ele seria quase que a personagem principal. Mas eu comprei naquela mesma Bienal, jurando que só leria quando estivesse preparada para lidar com os possíveis sentimentos.

– Esse é o problema da dor – o Augustus disse, e aí olhou para mim. – Ela precisa ser sentida.
— página 63

Após muitas lutas internas, que incluíram até esconder o livro para não vê-lo eu resolvi que estava na hora, que eu era forte o suficiente para superar o que precisava ser superado para que eu pudesse ler.

Não chorei em nenhum momento. Li ‘A Culpa é das Estrelas’ em dois dias. E culpo as estrelas que não viraram constelações para Hazel, para Gus, nem para qualquer pessoa que tivesse vivido a experiência e não possa contar sobre como conseguiu passar por ela.

[…] mas com este balanço seu filho conhecerá os altos e baixos da vida devagar e com segurança, e também poderá aprender a lição mais crucial de todas: não importa quão forte seja o impulso, não importa o quão alto se chegue, não será possível dar uma volta completa.
— página 117

Hazel está em estado terminal, o câncer atingiu seu pulmão e não há nada que possa ser feito para curá-la, apenas, talvez, acrescentar mais alguns meses e semanas e dias de vida.

Mesmo não querendo, ela vai a uma reunião com pessoas que lutam contra a mesma doença, seja em qual forma ela for, onde quer que seja. E nos deparamos com Isaac, que já não possui um olho – usa o de vidro -, Patrik com o discurso sobre suas bolas e Augustus, que está sem a doença há um bom tempo, após ter amputado uma perna.

Gus tem medo de ser esquecido, mas, para Hazel, essa sequer é uma discussão válida. A partir da resposta para o desabafo, eles começam a conversar, e logo conversa se desenvolve para algo mais.

O romance dos dois é único pelo misto de inocência e o aprendizado que a doença trouxe. É amor, pura e simplesmente. É o amor que não há milagre que vá permitir que dê certo. E é sobre aproveitar o tempo que eles têm para viver, juntos, brincando, rindo de coisas sérias.

[…] Eu me tornei uma pessoa insuportável muito antes de nós a perdermos. A tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela.
— página 259

Perdi a conta das vezes que uma risada minha mascarava a seriedade da situação. E em momento algum isso se tornou estranho, ou com menos valor. Exatamente ao contrário, tudo teve uma intensidade que eu estava preparada para encarar, e por isso me permiti aproveitar as entrelinhas.

John dispensa qualquer elogio, de tão óbvio que é para quem o lê. Personagens inesquecíveis, bem construídos e uma narrativa que não tem igual. É simples, encantadora e capaz de mudar toda sua visão, porque está tudo ligado, tudo amarrado e, ao mesmo tempo, com pontas que nos permite imaginar.

Se você não leu, seja por qual motivo for, eu recomendo que leia. Entretanto, esteja preparado para o que sabe que vai, um dia, escrito no livro ou não, acontecer. E faça que nem as personagens: aproveite cada minuto. A experiência vai valer a pena, garanto.

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3 comentários

  1. Sarah Sindorf em

    Adorei a resenha! Chorei com esse livro, confesso. Me senti com a contradição de rir em momentos que eram sérios, mas também não me senti mal com isso. Ainda é o meu livro favorito do Green, dentre os que eu li.

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