Resenha | A Desconstrução de Mara Dyer, de Michelle Hodkin

A Desconstrução de Mara Dyer
Autor(a): Michelle Hodkin
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

O início perfeito para uma trilogia que não se encaixa em um só gênero literário.

É difícil categorizar A Desconstrução de Mara Dyer e não posso justificar para não dar muitas pistas do que acontece. Entretanto, posso dizer que ele tem um toque de thriller e bastante de romance.

Para este, eu chamaria de new adult pelo simples fato de se encaixar na descrição do gênero e ter o romance desenvolvido quase que da mesma forma. Quase. Porque nada em Mara Dyer é igual ao que você já leu.

Bem vindo ao universo de Mara, uma garota que acordou em um hospital para saber que sua melhor amiga tinha morrido, junto a seu namorado e outra pessoa, enquanto ela não teve ferimentos tão absurdos assim.

Claro, perdeu a memória daquele dia, mas o que é isso comparado à morte? Para lidar com a situação da melhor forma possível, ela pede um favor à mãe e é atendida.

Uma corrente viajou das pontas dos dedos até o vazio que costumava ser meu estômago. E simplesmente assim, eu era total, completa e inteiramente,
Dele.
— página 148

Após tanta dor e sofrimento, ela começa a achar que a mãe está certa. Tem algo realmente errado e talvez, só talvez, ela devesse se render à ajuda de um profissional.

Ela não quer mais ver aquele olhar no irmão mais novo, nem ser a preocupação constante de Daniel, o irmão mais velho. Ela também não quer se afastar Noah, e sua insanidade está a levando aos limites.

É isso que Michelle Hodkin nos faz encarar ao longo do livro, que se inicia com uma inocente brincadeira numa tábua ouija – coisa que, diga-se de passagem, Mara não estava de acordo.

Michelle nos apresenta a morte e a vida de forma impressionante: são pessoas morrendo sem maiores explicações enquanto a personagem principal tenta reaprender a viver.

Para isto, Dyer encontra um cachorro com quem gostaria de passar o tempo, encara os irmãos de um jeito diferente e se apaixona por um garoto que esconde tantos segredos quanto ela.

Não nos apegamos só à ele e ao romance, a todo momento queremos entender o que a autora está mostrando, percebendo detalhes e torcendo para que eles façam sentido. E, eventualmente, eles fazem.

– Você é mau – declarei.
Em resposta, Noah sorriu e ergueu o indicador para bater de leve na ponta do meu nariz.
– E você é minha – falou, e então foi embora.
— página 150

Mais que um thriller, Michelle faz de “A Desconstrução de Mara Dyer” um romance com um desenvolvimento e certo foco romântico, ainda que explore as lembranças aterrorizantes do dia fatídico e, ainda, elabore fatos que queremos entender em sua plenitude.

O livro não é exatamente simples, mas prende nossa atenção do início ao fim, faz-nos desejar ter o próximo em mãos e rezar para que o terceiro e último seja logo lançado.

É daqueles que a gente quer ter em casa, guardado como uma lembrança de uma boa história e uma releitura prazerosa. Indico para quem não quer mais do mesmo, ainda que – como eu – seja apaixonada por esse “mesmo”.

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