Resenha | A Escolha, de Eduardo França

A Escolha
Autor(a): Eduardo França
Editora: Vida & Consciência
Páginas: 344
Avaliação: 3.8
Capa: 4 Diagramação: 4 Conteúdo: 3.5

A história de Regina é como a vida real: cheia de todo tipo de pessoa, com seus interesses falando às vezes mais alto que o bom senso. Regina é a personagem principal desta trama com toques espíritas que, diferentemente de outros livros lançados pela editora, pode sim ser lido sem que você acredite na religião.

Aqui, ela faz parte de um contexto e pode ser facilmente encarada como parte do que é cotado. Leitores que não acreditam no espiritismo podem facilmente encarar as situações como sobrenaturais e gêneros similares. Em momento algum isso atrapalha a leitura. Um diferencial importante para livros religiosos.

De qualquer forma, Eduardo França conta a história de Regina, que se muda de uma cidade pequena – onde morava com seu tio Ivo – para a grande São Paulo. Vários sonhos, esperanças e torcidas estão em volta dela para que suas escolhas sejam corretas e ela consiga um bom emprego, terminar os estudos e um sucesso almejado por qualquer pessoa. Regina tem uma paz e é ingênua, o que lhe deixa frágil aos caprichos e artimanhas de sua tia, Caetana, cuja principal característica é o egoísmo.

Vendo-a como uma ótima empregada, Caetana deixa claro, mesmo quando disfarça com tratamentos naturalmente gentis (“minha querida”, por exemplo) que não a considera bem vinda. Não perde uma oportunidade de falar mal da cidade na qual ela morava, ou demonstrar o quanto se esforça para ter o que quer.

Caetana não aceita que as coisas sejam diferentes do que deseja, então não se incomoda se tiver que pegar o dinheiro que Ivo lhe dá para ajudar nos custos de Regina em São Paulo, ou impedir que ambos se falem.

Luís, tio de Regina e marido de Caetana, é calmo e faz o possível para que a menina consiga um trabalho (e reveja Daniel, que a encontrou na rodoviária assim que ela chegou à cidade) e uma escola para estudar. Gustavo, filho de ambos, ama a mãe e tem respeito por ela, mas não deixa passar suas artimanhas que tendem o mal de Regina. E Ana, irmã de Gustavo, nota que o caminho não é o exemplo de mãe, e, portanto, nota uma nova escolha em seu meio de vida.

A Escolha trata o tempo inteiro das interações entre as pessoas, falando, às vezes, de suas vidas passadas e justificando porque elas são do jeito que são, sob um ponto de vista muito mais longínquo que meros anos. Demonstra o livre arbítrio, o que justifica seu título, do início ao fim, o que uma escolha é, e deixa de ser, capaz de fazer; o caminho que se segue é o que se escolhe.

O livro mostra tal pensamento de forma pessoal, de pessoa x, y e z, e também de forma conjunta. Como a escolha de x pode afetar y e, consequentemente, afetar z. E, quando a escolha não é certa, não é boa, quais as saídas para a situação, o que se aprende com elas e como a personalidade de alguém é capaz de mudar todo o ponto de vista sobre uma história em particular – e todas em geral.

Deixe seu comentário

* campos requeridos

Comentar via Facebook

2 comentários

  1. Natália em

    O ruim da diferença de classe social é isso, tem que provar muitas coisas, sem necessidade. Beijo

    Responder
  2. Rissia em

    Eu odeio esse negocio de classe social um fica se achando so porque pode mais que o outro e o outro fica se repremindo so porque não pode ! Bem adorei a resenha ! beijos !

    Responder