[Resenha] A Estrela que Nunca Vai se Apagar

A Estrela que Nunca Vai se Apagar
Autor(a): Esther Earl
Editora: Intrínseca
Páginas: 437
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Uma resenha com (muitos) trechos auto-intitulativos (se essa palavra existir).

Após ler A Culpa é das Estrelas (confira a resenha clicando aqui), eu me senti forte o suficiente para pegar e ler “A Estrela que Nunca Vai se Apagar“. O livro é escrito boa parte por Esther Earl, uma amiga com câncer de tireoide do John Green e que, apesar de não ser a Hazel Grace, inspirou-o a escrever sem parar sobre ela.

A medida de uma amizade não tem a ver com presença física, mas, sim, com seu significado.
— página 14

[…] que é possível viver com depressão sem ser consumido por ela e que o sentido da vida está na união, na família e nas amizades que transcendem e sobrevivem a todo tipo de sofrimento.
— página 19

A história de Hazel não é a de Esther (Grace) Earl. Mas John Green e ela acabaram sendo tão próximos que é impossível desconectar um livro do outro. Então, como ia dizendo, senti-me corajosa para pegar e ler um livro cujo câncer faz parte. Acredite, o livro não é sobre a doença, mas sim sobre a pessoa que a teve.

Em todas as páginas eu lembrei do meu tio Luiz Paulo e do tio Ari. E, sim, eu chorei. Mas não por tristeza – por saudade. Mais que isso, eu quis, realmente quis, ter conhecido Esther e ter sido forte para ela, mesmo à distância, e dar um apoio no seu meio e fim. Não fui forte para nenhum dos meus tios, mas isso é outra história.

Mas Esther preferia ver as coisas de outro modo. Durante todo o tratamento, sentia que, no geral, sua vida tinha sido boa. Ela teve o amor da família, dos amigos, e a cada dia sua dedicação à missão de confortar e cuidar dos outros se renovava.
— página 22

Eles três têm algo em comum além da doença. Foram pessoas incríveis. Esther se sentia triste por ter câncer, por fazer parte daqueles malditos 0,4% cuja cura era mais complicada – no seu caso, bem mais complicada. Ao mesmo tempo, ela brincava, ria, divertia-se, desenhava, escrevia cartas, colhia flores à meia noite para fazer uma surpresa para os pais.

Ela tinha uma família que deu apoio: abraçou, brincou, chorou. Fez dos momentos impossíveis suportáveis. E Esther… Ela era uma estrela. Uma estrela que brilhava por ser quem era, por ser forte, por brincar até nos seus últimos dias. Por ser uma nerdfighter e ainda gravar vídeos para o youtube.

O que a vida joga em cima da gente nunca faz sentido. Parece até que estamos nas mãos dela. Quanto tempo esperamos que a vida mude a gente? quanto tempo devíamos tentar mudar a nós mesmos?
— página 68

Deus é o motivo de eu estar sobrevivendo, mas ele sem dúvida colocou vocês na minha vida de uma forma maravilhosa. Eu amo vocês. Queria que houvesse uma forma menos melosa de dizer, mas amo mesmo. Simplesmente amo. Obrigada.
— página 137

Não consigo imaginar quão sortudos foram aqueles que a conheceram. Aqueles que estiveram com ela, pelo menos por pouco tempo. Porque ela era especial, não só para ela mesma, para a família ou para os amigos. Para o mundo, entende? Aquelas pessoas que a gente nem sabia que existia e que faz a gente pensar que, nossa, tudo bem, estou no mundo certo.

Em meio a tanta desgraça, Esther se mostrou uma luz. É triste que não esteja mais aqui. Só posso imaginar a saudade que aqueles que a conheceram sentem – da pessoa, das piadas, das atualizações do twitter, dos vídeos do youtube, de um barulho que indicasse que ela estava viva.

É um livro intenso, profundo, que você precisa estar preparado para ler, porque não vai ser agradável. Nada assim é agradável. Mas é único, diferente, incrível e especial de uma forma que nos faz mudar a forma de pensar, de viver.

Intrínseca dedicou ao livro o tempo e o trabalho que ele merecia, repleto de fotos, de momentos, de histórias, de sinceridades. De estrelas na diagramação! Passar para o papel tudo o que Esther Grace Earl foi e torná-la imortal para muitas outras pessoas.

O que importa é amar os amigos completa e totalmente, o melhor e o pior lado, e amar mais do que apenas as coisas boas. Trata-se de mostrar que você está disposto a aceitá-los pelo que são, que eles não devem se sentir inseguros ou constrangidos na sua presença, o que pode ser uma tarefa difícil
— página 217

Faltam-me palavras para uma resenha melhor, menos emocional. Mas, sinceramente, não sei se era algo técnico que ela iria querer. Se ela pretendia mudar vidas, ela mudou. A minha. Assim como meus tios fizeram, cada um com sua força. Ela me fez diferente. Ela também faz parte de mim.

Por meio de sua bondade, seu carinho e amor pela vida, ela permitia que os outros fossem eles mesmos. […] que estávamos a um dia do momento em que o amor de Esther pelo mundo se tornaria contagioso. Ela estava prestes a inspirar uma mudança no mundo.
— página 284

Se você é, tipo, uma pessoa com sentimentos, eu insisto que escreva, escreva isso, escreva no seu diário ou no seu blog ou faça um vídeo ou escreva em um post-it seus sentimentos, porque é bom poder ver quais são, e mesmo se você não conseguir entender todos, porque, caramba, o cérebro tem muitos sentimentos!
— página 321

Ela só me abraçou, me apertou com força, não disse nada, não disse nada. E agora eu percebo que aquilo foi… aquilo foi a melhor maneira de demonstrar amor por alguém. Abrace essa pessoa com força, faça-a se sentir amada, deixe que o amor passe por vocês.
— página 366

O Amor é Mais Forte. O Amor e a esperança estão unidos, se separá-los, você os destrói. Se a esperança sobrevive, o amor perdura. Onde existe ao menos uma nesga de amor, a menor das esperanças tem espaço para crescer.
— página 376

A vida não é para ser vivida pela metade. Ela deve ser aproveitada de maneira plena e total. Se você quiser fazer uma mudança no mundo, precisará ser forte. Precisará arriscar. Precisará perseverar. Às vezes, precisará seguir cegamente em uma direção mesmo sem ter qualquer certeza, mas porque acredita que ela vai levá-a ao lugar certo.
— página 378

Apenas seja feliz, e, se você não conseguir ficar feliz, faça coisas que o deixem feliz. Ou fique sem fazer nada com as pessoas que o fazem feliz.
— página 384

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2 comentários

  1. Sarah Sindorf em

    Incrível seu texto, Camille. Não acho que esse livro mereça uma resenha técnica, fria, mas sim uma envolvente e sentimental como a sua. Para mim, ler esse tipo livro sem se sentir envolvido, sem sentir vontade de ser uma pessoa melhor e viver sua vida da forma mais incrível possível, não faz sentido. Não consegui comprar ainda, mas está na minha lista de leituras.

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  2. Camilla Lobianco em

    Esse é um exemplo do quanto devemos ser gratos pela vida, acima de tudo. Que bom que é um livro sobre a vida e não sobre o câncer. Quando soube do livro fiquei cheia de vontade de ler, mas um pouco receosa, já que a realidade da menina Esther é a de muitos putros jovens e crianças. Triste, frustrante, mas como vc disse: sorte de quem a conheceu. Acho que devíamos nos inspirar em exemplos assim para tornar nossos momentos melhores. Obrigada por essa resenha linda e cheia de sentimento. Não sei quando estarei pronta para ler o livro, mas quero compreendê-lo ao invés de apenas sofrer.

    ssentrelivros.blogspot.com.br

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