[Resenha] A Guardiã da Minha Irmã, de Jodi Picoult

A Guardiã da Minha Irmã
Autor(a): Jodi Picoult
Editora: Verus
Páginas: 433
Avaliação: 4.5
Capa: 4.5 Diagramação: 4 Conteúdo: 5

Até que ponto podemos julgar uma mãe por tentar salvar uma filha fazendo outra “sob medida” para ser totalmente compatível? Julgar o fato de que, a filha mais nova, é sempre a submetida aos piores procedimentos visando salvar sua irmã mais velha, Kate? Podemos julgar o fato de Anna querer ter controle sobre o próprio corpo mesmo que isso signifique a morte de sua irmã? Podemos julgar o fato de que a mãe de ambas não aceite isso?

A Guardiã da Minha Irmã gera muitas dúvidas e discussões acerta desses assuntos delicados. Fiz, inclusive, uma pequena pesquisa expondo a situação e perguntando o que algumas mães fariam se estivessem na mesma situação.

Todas as respostas foram positivas: elas fariam de tudo para salvar sua filha, mesmo que isso significasse ter uma outra que ajudaria todo o processo. Anna, apesar de suas dúvidas, é amada por seus pais, e, ser saudável, significa poder salvar sua irmã. Ela é humana. E com poucos anos já tem que escolher que vida quer salvar: a sua, ou a de Kate.

Jodi Picoult tem uma escrita maravilhosa que nos prende a atenção do começo ao fim de seu livro. Emocionante e diferente, é um livro que traz uma boa história e muitas situações que nos fazem pensar.

A história é contada sob várias visões: a de Sara, mãe de Kate, Anna e Jesse; a de Anna, irmã cujas células são usadas para Kate; Jesse, o irmão “errado”; Brian, marido de Sara e pai das três crianças; Julia, que ajuda na decisão da justiça; e Campbell, o advogado contratado por Anna. Essa iniciativa nos faz ver a situação de diversos ângulos e torna mais difícil julgar um ou outro, é a principal responsável por nos acordar para a realidade da situação.

Além disso, o livro se passa em poucos dias – afinal, Kate não tem muito tempo de vida -, mas não é cheio de informações desnecessárias. Todo o crescimento dos personagens é explorado e bem desenvolvido, inclusive o de Kate.

O livro é simplesmente incrível. Envolvente, bonito, bem escrito e com um começo, meio e fim definidos, apesar de ser uma história contínua, que sabemos que não se encerra quando a última palavra já está escrita.