Resenha | A Ilha dos Dissidentes, de Bárbara Morais

A Ilha dos Dissidentes
Autor(a): Bárbara Morais
Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Sabem quando a gente entra numa livraria e um livro nos chama a atenção logo de cara? Quase um amor à primeira vista? Isso aconteceu com A Ilha dos Dissidentes, da autora nacional Bárbara Morais.

Plena bienal do Rio e toda santa vez que passava em frente ao estande da editora Gutenberg o livro me encarava de volta. Era um desejo de conhecer a história e, bookaholic como sou, comprei. E se você está meio desconfiado: relaxa. O livro vale cada centavo.

Sem dúvida, A Ilha dos Dissidentes é um dos livros nacionais mais brilhantes que já li. A autora faz parte do blog Nem um Pouco Épico e mora em Brasília, graduada em Economia. A trilogia Anômalos envolve tanto conflitos sociais quanto superpoderes, dois interesses da autora.

Aqui, após ataques de armas biológicas e químicas, parte da humanidade sofreu alterações genéticas. São, agora, mutantes. E é claro que o livro se passa num futuro distópico no qual mutantes e humanos convivem numa hostilidade digna de X-Man.

O medo do desconhecido os afasta e a convivência é pautada em procedimentos e proibições, visão que só não é mais terrível que o próprio planeta permeado por uma guerra interminável, capaz de massacrar a população que vive nas zonas de conflito.

Quando Sybil é selecionada para sair de uma dessas zonas, se vê numa situação desnorteante: o navio que a transporta naufraga (nome do navio: Titanic III, só por curiosidades). Todos os passageiros morrem, menos ela. Uma benção, exceto que vira choque ao constatar que ela é uma anômala.

Após uma bateria de exames exigidos pelo governo, ela é informada que não vai mais para o desejado campo de refugiados, mas sim para uma cidade especial, toda de anômalos. Seu incômodo se prova injustificado, já que adora a família que a adota e inicia, enfim, uma nova vida.

Seus primeiros meses em Pandora, a cidade especial, são incríveis. Ela consegue relaxar e aproveitar a adolescência, com problemas que não envolvem guerras e mortes. Mas é claro que o governo não ia deixar por isso, ele controla todas as nuances da vida dos especiais.

E Sybil logo vai entender o seu papel na guerra. Um papel planejado por um governo que teme seu tipo. A Ilha dos Dissidentes não poderia ser diferente: é eletrizante do início ao fim!

Acompanhamos a personagem com o coração apertado, uma vontade de torcer pela sua felicidade, mas com a certeza de que nenhuma coisa boa é eterna. O final nos tira o fôlego e a narrativa é muito fluída. Além disso, a editora fez um excelente trabalho na diagramação.

Leitura dinâmica, profícua e extremamente recomendada.

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