[Resenha] A Mais Pura Verdade, de Dan Gemeinhart

A Mais Pura Verdade
Autor(a): Dan Gemeinhart
Editora: Novo Conceito
Páginas: 224
Avaliação: 4.2
Capa: 5 Diagramação: 4 Conteúdo: 3.5

Mark é um menino de doze anos que foi diagnosticado com uma doenca terminal. Cansado dos tratamentos, de ser tratado como um doente, e tendo em mente que a morte, única certeza de sua vida, se aproxima rapidamente, o menino decide partir em uma aventura com uma mochila cheia das coisas necessárias e Beau, o melhor cãozinho do mundo.

Tendo consigo tudo de que precisa, Mark bola um plano que irá despistar seus pais e a polícia e parte a caminho do Monte Rainier. Só que o menino não espera as adversidades que são colocadas em seu caminho, afinal, ele havia planejado tudo antes de partir para sua jornada. Mas Mark irá aprender com cada uma dessas dificuldades em meio ao desafio de chegar ao topo e dividirá com o leitor suas mais profundas reflexões acerca de tudo isso.

A Mais Pura Verdade basea-se, então, na perspectiva de Mark, um pré-adolescente, à caminho da maior aventura de sua vida. Diferentemente dos muitos livros do gênero sick-lit, em A Mais Pura Verdade não nos deparamos com um romance que irá fazer com que o leitor sinta em si a injustiça que acontece com os personagens.

Ao contrário disso, tomamos conhecimento dos pensamentos mais profundos de uma criança que conhece seu fim e teme por ele, além de sofrer com o caminho que terá de percorrer até chegar lá.

A narrativa do livro é intercalada entre a perspectiva do Mark, em primeira pessoa; e a maneira como os pais dele e sua melhor amiga Jessie estão encarando a situação, em terceira pessoa. Dan faz uso de uma escrita leve, simples, digna de livros infanto-juvenis, mas que está repleta de significados e metáforas.

Mark é um protagonista obstinado, decidido e corajoso, mas que, talvez pela idade ou talvez por simplesmente não se importar com o que irá acontecê-lo, arrisca-se com o único pensamento de atingir seu objetivo. Ser capaz de fazer algo grandioso sozinho pelo menos uma vez na vida. Nesse ponto, a história não me convenceu por completo simplesmente porque não é da natureza humana desistir de algo – da vida, no caso – tão facilmente.

Ainda, me incomodaram algumas cenas em que Beau corre perigo junto com o dono e, embora eu tenha ficado extremamente emocionada com a lealdade dele para com Mark, senti-me um tanto quanto incomodada pelo menino ter decidido arriscar-se e levar junto um ser inocente para passar pelas mesmas provações que ele.

Contudo, ainda que alguns aspectos do livro tenham me incomodado, me pareceu muito poética e até mesmo melódica a forma como Dan expressou todos os conflitos pessoas que Mark, principalmente sua inconformidade com a condição em que está submetido que foi impossível não ter ter comparado toda a história de Mark com uma metáfora: a de que todos nós temos uma montanha a ser escalada não importa as condições.

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