Resenha | A Rebelde do Deserto, de Alwyn Hamilton

A Rebelde do Deserto
Autor(a): Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 288
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Amani Al’ Hiza, uma menina pobre e sem pais (os dois morreram), vive em pleno deserto de Miraji, num lugar chamado Vila da Poeira. Ela carrega consigo um sonho promissor: fugir de onde mora e encontrar seu espaço num lugar onde mulheres não sejam subjugadas e casamentos não sejam arranjados.

Apesar das incríveis habilidades com uma arma, é só quando um forasteiro chamado Jin aparece que ela tem a chance real de dar os próximos passos rumo ao seu sonho. Tudo isso num plano: ela sai de casa vestida de garoto com a missão de conseguir o dinheiro que precisa, encontra Jin, um estrangeiro que é procurado pelo exército sultão, e pronto: a confusão está formada.

Diante de uma série de eventos – e sim, o livro já começa desse jeito incrível – surge a possibilidade real de deixar tudo para trás e fugir pelo deserto. Esse é, certamente, o sinal de liberdade que ela precisa.

Quando todo mundo parece ter tanta certeza, é difícil acreditar que alguém esteja certo.

Desde o primeiro momento, eles estabelecem uma parceria. A química palpável nos faz imaginá-los como um casal, mas – e aí vem uma grande surpresa – A Rebelde do Deserto em nenhum momento se baseia nessa química para fazer o livro caminhar e funcionar.

É claro que o romance é tema e dá aquelas esquentadas em momentos mornos no sentido de ação, mas é exposto de um jeito que funciona com perfeição. É um livro muito dinâmico, por causa das muitas cenas de ação e dos muitos problemas (afinal, fugir pelo deserto por ser muitas coisas, mas fácil com certeza não é uma delas) e mal dá pra sentir as páginas passando.

As pessoas neste deserto deveriam ter um país que pertencesse a elas, não a um homem.

Conforme as páginas se adiantam, vamos conhecendo mais de Jin e, mais pra frente, de personagens secundárias que são tão marcantes quanto as principais. Sem dúvida o grande trunfo do romance está em Amani. Ela não é nem de perto a jovem com a qual estamos acostumadas.

Ela não é infantil e frágil, não é o tipo de mulher que pede por um homem a protegendo ou que, secretamente, precisa de um para que tudo se encaixe nos conformes. Uma parceria? Sim. Mas não existe uma relação de dependência.

Rapunzel suspirando Uma pausa para apreciação e suspiros.

Alwyn Hamilton conseguiu desenvolver a narrativa de forma a discutir questões de gênero e culturais de forma extremamente inteligente, com um romance que não deixa tudo melado de tanto doce, mas que encanta, arranca suspiros e nos faz pensar que é isso, é isso que é importante.

E é claro que uma protagonista tão bem desenvolvida não poderia ficar ao lado de alguém menor. Jin é tão forte, confiante e incrível quanto ela. Como não poderia deixar de ser, tem sua cota (muito alta, óbvio) de sensualidade e inteligência. Os dois, juntos, são maravilhosos.

Sou uma garota que poderia ter me tornado qualquer coisa se tivesse nascido homem.

Assim como a promessa deixada para os dois livros que ainda estão por vir. A Rebelde do Deserto mostra o início de algo grandioso, elaborando sua cota de fantasia e (talvez, se pensar um pouco além) de distopia. Não é um livro que pode ser simplesmente categorizado como uma coisa. Ele é múltiplo.

Em resumo, um livro simplesmente incrível, que posso, com muita segurança, recomendar para qualquer pessoa. Ele merece, muito, a leitura.

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