Resenha | A Sereia, de Kiera Cass

A Sereia
Autor(a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 328
Avaliação: 4.5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 3.5

Kahlen não passava de uma jovem quando seu destino dá uma volta de 180 graus. Isso porque, em uma viagem com a sua família, um canto faz com que todos os tripulantes sejam enfeitiçados e o barco naufrague — todos morrem. Um destino que seria o da própria Kahlen, se ela não tivesse feito um acordo com a Água. Para sobreviver, ela se compromete a viver 100 anos de servidão.

É assim que Kahlen se torna uma sereia, e sua vida é tão normal quanto as circunstâncias permitem ser. Ela não costuma ir à cidade, algo que suas irmãs sereias não pensam duas vezes antes de fazer. Sua voz é capaz de selar o destino de qualquer humano, e essa é, inclusive, sua missão de tempos em tempos. Quando a Água quer que o passado se repita, cabe a Kahlen cantar e fazer com que muitos outros destinos cheguem ao fim.

Ela não está satisfeita com a situação, porém é extremamente dedicada e conta os anos que faltam para que seu compromisso se encerre e ela possa, quem sabe, ter uma vida tranquila. Faltam apenas 20 anos, o que já não é mais tanto tempo exceto pelo fato de que, um dia, ela está na biblioteca de uma universidade e encontra Akinli. O garoto é educado, gentil e não desiste de estabelecer uma conversa mesmo quando percebe que ela não pode falar.

“Não conhecia nenhuma expressão mais forte que “alma gêmea”, que desse a entender a sensação de estar tão unido a alguém que é difícil dizer onde termina essa pessoa e onde você começa.”

Akinli é o único capaz de fazê-la querer desafiar a Água, mesmo diante das consequências. O problema é que as histórias são intensas, nada termina bem para quem coloca os interesses pessoais à frente dos da Água; desafiá-la pode ser a decisão mais difícil e imprudente que Kahlen pode tomar, porém não vale o amor o risco?

É com essa premissa que A Sereia se desenvolve. Não foi um livro que me empolgou de primeira, Kahlen não é exatamente a melhor personagem de todos os tempos, assim como Akinli não é o par romântico que mais chama atenção, mas é difícil não perceber o envolvimento dos dois. Há, claramente, amor nascendo ali, tornando-se forte, mesmo diante de situações complexas e perigosas.

A escrita de Kiera Cass não desaponta. É claro que é um pouco difícil não pensar um pouco no conto d’A Pequena Sereia, mas Cass consegue se manter original e criar uma fantasia que é difícil de se resistir. Miaka e Elizabeth, irmãs sereias de Kahlen, são imprudentes e naturalmente mais fáceis de se apegar. Gosto da dinâmica que elas criam ao longo da narrativa.

A Sereia é um livro leve, para quem está interessado em um romance mais fofo e simples, mas com elementos desenvolvidos e explorados numa medida boa, sem exageros, mas também sem maiores profundidades, o que acho que foi mesmo a intenção da autora. De qualquer forma, é Kiera Cass, e não tem como não recomendar para quem quer algo tranquilo para passar o tempo.

Deixe seu comentário

* campos requeridos

Comentar via Facebook