Resenha | A Traidora do Trono, de Alwyn Hamilton

A Traidora do Trono
Autor(a): Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Páginas: 440
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Seis meses após o fim de A Rebelde do Deserto, Amani carrega apenas uma cicatriz para lembrá-la de tudo que aconteceu. Quando acorda, entretanto, não encontra quem mais espera ver: Jin, que, ela presume, foi mandado embora para cuidar de algum assunto da rebelião.

Amani sempre tomou a iniciativa por conta de suas certezas — como a de não querer ter a vida que a Vila da Poeira prometia —, e agora não é diferente. Mas Shazad está certa: se tem alguma coisa que realmente acompanha a garota, esta é confusão. E é uma baita confusão, com alguns segredos envoltos, que a levam para o melhor e o pior lugar possível: Izman, sob o olhar atento e as artimanhas do Sultão.

O melhor, porque a revolução precisava mesmo de alguém com informações diretas e verdadeiras da cidade e dos planos do Sultão. Pior porque, como djinni, basta uma pergunta direta para que ela conte tudo sobre a revolução — afinal, ela não pode mentir.

“Ele me dizendo que crença era um idioma estrangeiro à lógica. Mas o que mais nos restava?”

Longe dos amigos, de Jin e da constante reafirmação da revolução, Amani encara de frente um sultão que lhe dá ordens que ela não consegue desobedecer, o amigo que deixou para trás e as mulheres que são capazes de tudo para se manter no harém, o único lugar onde podem garantir que, se são úteis, permanecerão vivas.

A Traidora do Trono traz uma narrativa que não para, nem cansa, sendo dinâmica do início ao fim, com a série de situações que deixam, lado a lado, dois momentos de revolução (a que quer tirar o sultão do poder, e a feita pelo próprio sultão para chegar ao poder).

Com personagens novas muito bem desenvolvidas, somos levados à aventura da garota que, independentemente de carregar o deserto nas costas, consegue se manter forte mesmo quando nem nós, leitores, conseguimos ver saída. Nenhuma dúvida é fora do comum, e a realidade permeia a ficção de forma única, criando uma teia que conecta pontos ao mesmo tempo que expande nossos horizontes para outros.

“Mas jamais desistiria daquela vida por ele. Nem por ele nem por ninguém. A diferença era que Jin nunca havia me pedido para fazer isso. Ele tinha pegado minha mão e me mostrado o mundo.”

Claro que isso faz com que o livro termine daquele jeito: capaz de nos fazer esperar ansiosamente o terceiro e último volume com perguntas cujas respostas, diante das reviravoltas, prometem girar nossas linhas de pensamento 180º antes de colocar tudo nos eixos novamente.

A escrita de Alwyn Hamilton prende, o romance entre as personagens não é meloso e a política tangencia toda a história nos contamina. O final arrebatador tira nosso chão e me deixa sem condições de dizer qualquer coisa diferente de: este livro é incrível. Vale ressaltar que o trabalho em cima dele também está particularmente bem feito: capa, diagramação e revisão impecáveis. E não esperaria nada menos que isso para um livro tão bom.

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