Resenha | A Vida Como Ela Era, de Susan Beth Pfeffer

A Vida Como Ela Era
Autor(a): Susan Beth Pfeffer
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
Avaliação: 4.5
Capa: 4 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Simplesmente adoro série, livros e filmes com cenário apocalíptico: gosto de acompanhar de perto como os humanos, que acabam não agindo como humanos, adaptam-se à realidades que, muitas vezes, eles mesmos se impõem.

Em momentos extremos, é comum que pessoas se mostrem como realmente são, colocando à prova ideais, morais e concepções. E existe algo mais intenso que a perspectiva de que tudo que conhecemos – olhe para os lados, para entender o impacto – está chegando ao fim?

É exatamente com esse cenário que a autora norte-americana Susan Beth Pfeffer começa sua narrativa. Ela já escreveu mais de 70 obras que variam entre juvenis e infanto-juvenis, acumulando inúmeros prêmios na prateleira. A série iniciada com A Vida Como Ela Era, chamada Os Últimos Sobreviventes, conta com quatro livros.

“Nunca pensei muito sobre o fato de que a lua que vejo é a mesma que Shakespeare, Maria Antonieta, George Washington e Cleópatra viram. […] Todos os Homo Sapiens e Neandertais olharam para a mesma lua que eu olho. Ela também aparecia e desaparecia do céu deles.”

Diário escrito por Miranda, de apenas 17 anos, A Vida Como Ela Era começa com todas as preocupações de uma menina normal do primeiro ano do Ensino Médio norte-americano. Até que se anuncia o grande asteroide que colidirá com a lua.

Certo, isso acontece o tempo todo, correto? Bem, só que este evento poderá ser visto até mesmo de um binóculo. Um evento que entrará para a história, um para o qual todos se preparam para assistir, como se não passasse de uma festa com fogos de artifício.

O que, entretanto, acontece não foi exatamente o previsto pelos astrônomos. O impacto foi bem mais forte, gerando uma mudança na posição da lua: ela está bem mais próxima da Terra. As horas seguintes? Pânico.

Quem morava no litoral se tornou vítima. Para Miranda, moradora do interior dos Estados Unidos, o pânico inicial se restringia a saber sobre o estado de seus familiares. Linhas telefônicas? Congestionadas.

No dia seguinte, quando Miranda descobre que todos os parentes próximos estão bem (mãe e irmão, com quem vive, além de pai, a nova esposa grávida e o irmão mais velho, Matt), ela vai para a escola. Afinal, até então, não se sabia quais mudanças ocorreriam de fato.

“Se houver um mundo – começou ele – e se houver aula, você gostaria de ir ao baile de formatura comigo no ano que vem?”

Os estudantes, claro, estão agitadíssimos, curiosos. É no meio de uma aula que a mãe de Miranda aparece, extremamente agitada, querendo que a filha seja liberada mais cedo. Entrando no carro, ela percebe que John e a vizinha já estão lá dentro. Os quatro estão indo às compras.

Eles não foram os únicos, entretanto, a pensar nos preparativos para o fim do mundo. As compras eram pagas por quantidades de carrinhos cheios, não por produtos, e valia qualquer coisa que fosse ajudar alguém a sobreviver por mais tempo.

Para Miranda, tudo aquilo pareceu um tanto exagerado, quase uma loucura. Foi com o tempo que ela entendeu todo o preparativo e a ansiedade: a Terra sofria grandes abalos e a dura verdade é que somente os mais preparados sobreviveriam.

Momento de decisões, nenhuma delas seria fácil. Qualquer ação teria uma reação, consequências graves. Um livro que é tenso, difícil de acompanhar por demonstrar tão fortemente o desespero, a fome e a desilusão em cada linha.

Peguei-me chorando, emocionando-me e foi impossível não sofrer junto. A cada página virada, aprendi uma lição de coragem e fé.

“Nós temos uns aos outros. Enquanto tivermos uns aos outros, ficaremos bem.”

Espero ansiosamente pelo segundo volume, “Os Vivos e os Mortos”, já que AMEI passar o tempo de leitura ao lado de Miranda e sua família. Sim, estou curiosa para saber tudo que Susan Beth Pfeffer está preparando para os leitores, como vai fazer com que as coisas progridam e como vai as resolver.

É realmente admirável como Susan conseguiu fazer com que a narrativa de A Vida Como Ela Era nos levasse a acreditar que estávamos em um beco sem saída. Como todos os choques são absurdamente intensos e proporcionam abalos não só na Terra (ha-ha) como também na nossa concepção de mundo.

O que é coragem e o que faz de alguém corajoso? O que é realmente importante? Como devemos agir diante da morte? De onde tirar forças para encontrar uma maneira de (sobre)viver?

Então, sim, indico essa leitura! Mas reafirmo que não é nada fácil, pois nos leva a sentimentos de desespero e precisamos lidar com isso. Ainda assim, tentem ver como uma baita oportunidade parar nos conhecermos melhor, quem sabe não ajuda!

“Acho que sempre pensei que, mesmo que o mundo acabasse, o McDonald’s continuaria funcionando.”


Por Laila Ribeiro
exclusivamente para Versificados

Deixe seu comentário

* campos requeridos

Comentar via Facebook