[Resenha] A Vingança de Mara Dyer, de Michelle Hodkin

A Vingança de Mara Dyer
Autor(a): Michelle Hodkin
Editora: Galera Record
Páginas: 378
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Início lento, final perfeito

Meu caso de amor com Mara Dyer começou sem nenhuma expectativa. O primeiro livro me encantou muito, o segundo confirmou o relacionamento e o terceiro oficializou o casamento. Sim, Mara Dyer é bom neste nível. E, se você chegou até aqui, então já sabe o que faz dessa série tão única.

A Vingança de Mara Dyer começa de forma bizarra – algo bem comum para a série -, do tipo que deixa a pele um pouco arrepiada até você entender o que está acontecendo. E senta aí, porque vai demorar um pouco. Mara acorda em um lugar sem vida, mal conseguindo controlar seu próprio corpo. Ela percebe que estão fazendo testes, injetando soluções estranhas em seu corpo e não consegue fazer nada para mudar isso: seu corpo não reage.

Há coisas que as pessoas que você ama jamais devem vê-lo fazendo.

Ela é expectadora da própria vida, até que quem menos se espera aparece para lhe dar uma solução. É graças a essa pessoa que ela consegue as ferramentas necessárias para encontrar Jamie e Stella, que estiveram com ela antes de Horizontes ruir, e só então, em um ritmo frenético, a aventura recomeça. Eles precisam se encontrar e achar a saída antes que a Dra. Kells reapareça e coloque tudo “nos trilhos” novamente.

E, tentando a todo custo evitar spoilers, termino a explicação do livro aqui. Bem no começo da resenha, falei sobre o início lento do livro e preciso explicar: os primeiros capítulos são intensos, daqueles que você lê sem parar. Quando o cenário muda, entretanto, e a busca por Noah e respostas começa é que as coisas ficam um pouco devagar.

Os lençóis são nosso mundo, e neles ela é finita e infinita, bela e sublime, presa em meus braços e livre, sem limites ao mesmo tempo. […] Mara está livre de cordas, livre de limites, livre em meus braços. Finalmente.

Não entenda mal, não é que não tenha lá seus momentos de ação, ou que as personagens fiquem fracas na narrativa. Mas, em meio à um milhão de emoções, a parte mais “calma” (entre aspas mesmo) da narrativa é sempre mais fraca, principalmente quando comparada aos outros volumes. A calmaria dura algumas muitas páginas, páginas que nos dão respostas surpreendentes para perguntas que vínhamos fazendo desde o primeiro volume.

O que mais me deixou impressionada é o quanto vemos, com clareza, Mara Dyer diferente. Se no início ela era uma menina mulher forte, mas fixada no próprio casulo repleto de coisas inexplicáveis e assustadoras, agora ela já tem uma bagagem capaz de torná-la, como a própria autora diz, um dragão.

Não procure paz. Procure paixão. Encontre algo pelo que morreria mais do que algo pelo que quer viver.

Mara não é o tipo de personagem que espera as coisas acontecerem, ela tem mais atitude que todo mundo junto. Stella, super bem construída, assume um papel que leitores já estão um pouco cansados de ver: a boazinha. Mara, sendo ela mesma, nos faz acompanhá-la até em seus momentos mais cruéis. E, sim, eles existem.

Jamie também merece dedicação especial. Seu desenvolvimento é menos claro, mas seu humor e a relação com Mara (que não é romântica, relaxem, sem triângulos amorosos aqui) é muito bem escrita e elaborada. Noah fica em segundo plano, mas nem por isso menos apaixonante – fiquei tentada a marcar várias falas suas mais para o final do livro.

Creio que temos a responsabilidade de deixar o mundo melhor do que o encontramos.

Gostei também da dinâmica passado-presente, que a princípio nos faz questionar como vão se conectar. Por fim, mais para o final do livro, um capítulo alterna de pontos de vista de Mara e Noah de um jeito que me deixou sem palavras e muito animada. Podia simplesmente não ter feito sentido, mas não só fez, como foi perfeito.

Para mim, A Vingança de Mara Dyer foi o encerramento quase perfeito para a trilogia que conquistou meu coração de um jeito que poucos livros fazem. Foi bizarro, foi romântico, teve seu toque sobrenatural e foi muito bem explicado, ainda que em certos momentos você fique confuso com o que está acontecendo e o que é real ou não.

– Não tenho o direito de te querer.
– Você tem todo o direito. A escolha é sua. É nossa.

Mas, se vamos ser honestos, são esses momentos de dúvida que sustentam o quê a mais da série desde o primeiro livro. Além de Noah, é claro.

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