[Resenha] Alif, o Invisível, de G. Willow Wilson

Alif, O Invisível
Autor(a): G. Willow Wilson
Editora: Rocco
Páginas: 352
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Alif, o Invisível é uma das maiores apostas do selo Fantástica da Editora Rocco.

Neste livro, somos apresentados ao jovem hacker Alif – primeira letra do alfabeto árabe usada como seu pseudônimo. Morador de uma pequena cidade fictícia no Golfo Pérsico, Alif protege seus clientes: centenas de pessoas que vão contra a censura online, a fim de que elas possam manifestar seus pensamentos e posições sem a interferência governamental através da Mão, o maior terror dos hackers, protestantes e fundamentalistas.

O rapaz não tem muitas preocupações na vida além de manter sua clientela em segurança e sua secreta paixão por Intisar, uma jovem aristocrata.

Só que em uma sociedade predominantemente islâmica e, por isso, patriarcal, Alif vê o sonho de viver ao lado de Intisar destruído no momento em que o pai da menina planeja seu casamento com outro homem. Sem poder contestar o pai, Intisar corta seus laços com Alif. O que ele não sabe, no entanto, é que a ideia que tem da amada será completamente transformada em poucos dias.

Arrasado com o rompimento, Alif decide desaparecer por completo do alcance de Intisar, mas não quer deixar de ter notícias da menina. Sendo assim, inicia árduo trabalho na construção do Tin Sari, programa desenvolvido para detectar Intistar através dos padrões de digitação da garota, sem imaginar a arma que estaria criando.

O programa seria um prato cheio para a Mão. Não bastasse a criação do Tin Sari, o Alf Yeom, um livro muito antigo e misterioso cai em suas mãos enviado por sua amada. E é então que ele começa a ser perseguido e com a ajudada de Dina, sua melhor amiga, ele foge em busca sua liberdade.

A leitura de Alif, o Invisível foi uma feliz surpresa para mim, já que não esperava muito da história. O livro me pareceu uma teia muitíssimo bem construída de temas abordados e acontecimentos que não foram por acaso de forma alguma.

Romance, tecnologia, cultura, miticismo são apenas alguns dos temas trabalhados por G. Willow Wilson neste livro e embora tenha sido uma mesclagem bastante ousada e perigosa de se fazer, a autora foi muito feliz por tê-lo feito de forma balanceada e envolvente. O livro está além do imprevisível, fazendo com que cada uma das páginas sejam devoradas de modo que o desenrolar da história seja ainda mais imperdível.

Devido ao fato de as temáticas terem sido bem distribuídas a fim de que não houvesse excesso de alguma delas, o romance presente na história não é acentuado nem chato. Pelo contrário, o desenrolar da história atingiu inclusive o romance presente, trazendo uma reviravolta para a vida de Alif que me surpreendeu muito.

Além da trama incrivelmente benfeita, a autora me me ganhou com personagens extremamente cativantes. A maneira como ela desenvolveu a personagem de Alif foi maravilhosa.

Embora o rapaz seja um gênio da computação conhecido por muitas pessoas, ele não deixa de expressar seus medos e suas inseguranças por estar sendo perseguido pelo Estado. Ainda, Alif não deixa de fazer piada de sua situação e culpar-se por envolver outras pessoas em seus problemas.

O protagonista foi desenvolvido de maneira extremamente humana e real, de modo que me senti próxima dele, senti seus medos, seu desespero, sua traição, seu amor. Gostei também da maneira como G. Willow retratou as criaturas místicas do Oriente Médio, os djins. Ainda que não-humanos, as personagens mostraram-se sensatas e nem um pouco heróicas, o que me surpreendeu de certa forma.

Por fim, mas não menos importante, o ponto positivo que muito me encantou foi a abordagem do islamismo e da cultura presente nesse segmento social. A autora aproxima o leitor da realidade dos religiosos com maestria. No final da leitura até eu estava me assustando ou me ofendendo quando alguém via o rosto de Dina.

O livro é uma ótima pegada para os amantes de ficção e fantasia, ressaltando, porém, que não só eles serão abordados e é justamente por isso que a história de Alif é tão recomendada por mim.

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