Resenha | Amaldiçoado, de Joe Hill

O Pacto / Amaldiçoado
Autor(a): Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 360
Avaliação: 4.3
Capa: 5 Diagramação: 4 Conteúdo: 4

“O Pacto”, cujo título mudou para Amaldiçoado, é um desses livros que você bate o olho e já te chama atenção. De fato, fora a capa o primeiro e principal motivo de eu ter comprado. (Apesar de ser uma forquilha, ao invés de um tridente – a famosa arma do Diabo).

“O Pacto” foi um dos livros que eu levei numa minha viagem e talvez o mais pesado, em quesito história, que eu li. Joe Hill parece ter vivido um verdadeiro inferno para escrever O Pacto e isso se torna claro quando chegamos ao final e vemos a proposta inicial ir se perdendo aos poucos.

Se no início somos conduzidos a situações inusitadas enquanto Ig está descobrindo os poderes de seus chifres, o final chega a se tornar parado com as explicações e reviravoltas que Hill julgou ser necessário acrescentar.

Algumas coisas me incomodaram em O Pacto. A começar pelo nome do personagem principal: Ignatius Perrish. Mesmo com o carinhoso apelido de Ig, achei muito pouco usual e por vezes confuso para a história.

Outra coisa que me incomodou foi descobrir a identidade do assassino de Merrin em meados do livro. Até concordo que foi necessário que assim ocorresse para que depois Joe nos mostrasse os motivos do assassino ter cometido o crime e também para que Ig pudesse realizar sua vingança.

Isso não é spoiler – estamos falando do Diabo, lógico que teria uma vingança! -, mas achava que, por ser o ponto alto do livro, ele deveria ser explorado mais para o final. E, por último, o título! Não tem pacto nenhum gente! Deixava a tradução fiel ao inglês (Horns = Chifres).

O início e o meio são o ponto alto do livro. A descoberta e aprendizado de como utilizar o chifre se tornam melhores do que o porque de ele ter os chifres.

Gostei de Joe não ter receio em utilizar as palavras adequadas para contar sua história. Ficaria estranho substituir um “vá se foder” por um “vá se ferrar”, afinal é do Diabo que estamos falando.

Então, ponto para Joe Hill e para a Arqueiro que não retirou os palavrões da versão brasileira. Aliás, parabéns à Arqueiro também pela belíssima capa que chega a ser melhor do que a versão americana.

Gostei também da frieza maníaca que Joe emprega durante os capítulos acompanhando o assassino. E, os ápices da sua escrita: a cena do assassinato/estupro de Merrin (que não precisou de detalhes sórdidos para ser entendida) e a sequência onde Ig descobre os segredos de Merrin, através do pai dela.

Um livro bom que não deve ser rotulado de romance (como o próprio Joe faz) e sim de realidade fantástica. Teria tudo para ser completamente perfeito se não fosse a monotonia do final.

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