Resenha | Amor Contra o Tempo, de Myra McEntire

Amor Contra o Tempo
Autor(a): Myra McEntire
Editora: Galera Record
Páginas: 368
Avaliação: 4.5
Capa: 4.5 Diagramação: 4 Conteúdo: 5

Emerson não acreditava que ver pessoas de séculos passado fosse um dom, inclusive porque ninguém se esqueceria daquele dia que ela discutiu com uma pessoa que só ela conseguia ver.

Ainda que as roupas fossem um indicativo sobre a pessoa ser ou não um ‘fantasma’, às vezes era muito difícil notar a diferença – pelo menos até que Emerson tocasse nela e, como uma bola, ela estourasse.

Não sendo o bastante, ela tinha acabado de se livrar de todos aqueles medicamentos que psiquiatras passaram à ela depois que seus pais morreram, o que não tornava sua vida mais fácil.

Se ela precisasse se definir, certamente a palavra seria ‘maluca’. Até encontrar Michael – lindo e maravilhoso – e descobrir que seu irmão, com quem ela morava agora, tinha contratado exatamente ele para ajudá-la.

Talvez se Em não visse fantasmas, que ele chamava de dobras ou desdobramentos temporais, ela o acharia tão maluco quanto – ou pior que – ela. Essa história de viajar no tempo era muito estranha para ser verdade, mesmo com todos os argumentos que Michael mostrava.

Todavia… Em não via pessoas do passado? Cenas inteiras? Não podia conversar com elas de qualquer forma? Viajar no tempo era tão pior assim?

Amor Contra o Tempo, da série Hourglass – que na história é uma espécie de escola / casa para pessoas com dons relacionados ao tempo, é um daqueles livros que a leitura nos interessa desde o princípio.

Somos apresentados à Emerson, uma personagem que lida diariamente com a dor da perda dos pais e de se achar um incômodo para o irmão; mesmo assim, a ironia e situações engraçadas estão em todo o livro.

A leitura simplesmente flui. Queremos ver mais de Em e Michael, nos sentimos próximos à eles na medida em que vamos os conhecemos pela descrição da própria Emerson. Conhecemos um mundo diferente, em que viajar para o passado e para o futuro é sim possível, em que laços íntimos são criados e estabelecidos com um toque.

Absolutamente tudo na história parece a simples ação-reação, mas torna impossível não se questionar se tudo já não estava escrito nas entrelinhas, nas vidas de cada um deles.

É pura coincidência? Myra consegue propor um tema que pode facilmente causar nós no cérebro, mas mesmo quando eu achei que ela tinha errado em um detalhe tudo estava ligado, conciso e inegavelmente explicado.

É um livro super indicado, muito melhor do que aparenta à primeira vista – e capa e sinopse dele já são boas. Myra encanta com sua escrita leve e descontraída, com seus personagens bem desenvolvidos e com habilidades diferentes que por vezes queremos socar (ou abraçar).

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