[Resenha] Bem Profundo, de Portia da Costa

Bem Profundo
Autor(a): Portia da Costa
Editora: Planeta
Páginas: 256
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 4 Conteúdo: 4

Interessante, original e único em vários aspectos.

Gwendolyne é uma bibliotecária que se separou recentemente cujo cotidiano não é algo exatamente animador. Gordinha para os padrões de beleza da sociedade, ela certamente não esperava receber uma carta de um admirador secreto apelidado de Nêmeses.

Confiando em seu instinto, ela acredita que o autor da carta não é nenhum maluco tarado, mesmo quando suas palavras não são exatamente delicadas, e começa a observar todos ao seu redor. De uma coisa ela sabe: o autor da carta visita frequentemente a biblioteca.

Saindo para o almoço ela esbarra com Daniel, um professor famoso que está fazendo uma pesquisa para seu próximo documentário. Não exatamente tímida, ela o provoca com movimentos que deixam à mostra um pouco mais do que homens desconhecidos podem ver.

Ao aceitar o jogo de Nêmeses, com suas tarefas desafiadoras e suas palavras que a fazem sentir uma necessidade de sexo, ela escolhe ninguém menos que Daniel para ser o desconhecido com quem fará coisas que antes sequer sonharia. É assim que um relacionamento a base de uma amizade quase falsa e um interesse crescente por aventuras – com ele – começa.

Portia faz uso da amizade colorida para entrar em um romance que não é sempre flores. Ela escolhe não apostar no clichê romântico de usar frases delicadas e criar situações que dão aquele friozinho na barriga de quem lê, o que não é um ponto necessariamente negativo.

Apesar de ter gostado da forma que a história se desenvolve em Bem Profundo, assim como do jeito que o casal opta para ignorar sentimentos que aparecem com tal envolvimento, não acho que fosse necessário usar palavras tão diretas no livro inteiro.

Além disso, algo diferente e original é o fato de Gwen ser uma mulher que não possui um corpo perfeito. Ela ser gordinha torna a experiência muito mais real, adaptável para o cotidiano. Quem vai dizer que ela não poderia ser qualquer pessoa com quem você esbarra na rua? Portia ainda torna tudo mais prazeroso ao fazer Daniel um homem apaixonado por mulheres que fogem ao tamanho 40.

Com elementos que nos prendem a atenção, problemas que nos fazem virar a página mais rapidamente e justificativas que vão além de traumas de infância (não que não seja válido, apenas está escrito em muitos outros livros), ela nos faz ler rapidamente as páginas e torcer por um final feliz.

Portia sabe prender a atenção, excitar e tornar a leitura agradável e totalmente imaginativa. É diferente, o que certamente torna tudo único.

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