Resenha | Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs

Biblioteca de Almas
Autor(a): Ransom Riggs
Editora: Intrínseca
Páginas: 416
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Devo admitir, enquanto não terminei, não sosseguei. Comi página por página, capítulo por capítulo, imagem por imagem e, ao final embora plenamente satisfeito, senti-me caindo num precipício: e agora, o que será de mim?

Após uma noite mal dormida e um dia inteiro de ressaca, que não promete acabar tão cedo, decidi escrever essa resenha sobre o último livro da série de Ransom Riggs, Biblioteca de Almas, que apelidei, carinhosamente, de Peculiares.

Antes de falar sobre o último livro, porém preciso fazer duas divagações: uma primeira para falar qual dos três livros da saga mais gostei e uma segunda para falar sobre o porquê das imagens e retomar a história da saga completa (darei alguns spoilers, mas tentarei não dar muitos, ok?).

Esses dias, em meio a uma explosão de expectativa, enquanto eu falava sem parar sobre a saga, uma colega me perguntou: “Marcelo, qual dos dois primeiros livros você mais gostou?”. É claro, eu não soube responder, os dois primeiros livros (“O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” e “Cidade dos Etéreos“) são igualmente fantásticos! Entretanto, se ela me perguntasse isso hoje, eu responderia, com a mais absoluta certeza que o Biblioteca de Almas é, sem dúvidas, o melhor.

Não porquê os dois primeiros tenham deixado a desejar, mas porque o terceiro foi realmente excepcional! É uma viagem por mundos e dimensões diferentes, personagens encantadores e uma narrativa que ao mesmo tempo emociona, cativa e nos deixa em êxtase! Tudo isso em um ritmo que não para, os livros da saga trazem ação do começo ao fim!

E, em meio a todo esse espetáculo narrativo, somos surpreendidos com imagens que saltam aos olhos, ilustrando o livro e nos fazendo imergir por completo nesse universo peculiar, talhado por Riggs. É interessante observar que as imagens carinhosa e estrategicamente inseridas nos livros são uma segunda paixão de Ranson Riggs, que tem como outra paixão, por óbvio, a escrita.

Essa paixão, fotografia, fez com que o autor, que o autor desenvolvesse, conforme relata em seu site pessoal, um hobby: colecionar fotos de outras pessoas. Ele chega a afirmar que possui milhares de fotos, entre as quais, utilizou algumas em suas obras.

Devo admitir, embora não queira estragar o encanto de vocês, que nem todas as fotos são totalmente reais, em alguma delas foi utilizado o que se chama de snapshots, técnica pela qual se transforma, por meio de edição simples, fotos, no caso de nosso autor, fotos antigas, tornam-se fotos, por vezes, tenebrosas que nos envolvem em sua trama.

No primeiro romance, o escritor nos apresenta Jacob, que é um garoto “comum”, sem amigos e viveu sua infância escutando contos incríveis de seu avô e que, quando os reproduzia na escola, era ridicularizado.

Certo dia, o Jacob encontra seu avô morto em seu quintal, como se tivesse atacado por um animal selvagem e, na mesma oportunidade, vê uma criatura horrível que ele presume que tenha matado seu herói.

Após isso, Jacob começa a passar em psicólogo, que o receita remédios e indica que Jacob tire umas férias, melhor se fosse em uma ilha distante que era cenário das histórias fantásticas de seu avô, sobre um orfanato que abrigava crianças com dons sobrenaturais, peculiares, como super força, poder de laçar chamas com as mãos, voar, ser invisível, etc.

Seu pai, então, decide levá-lo para este local, para que o garoto retome sua “sanidade”. No local, o pai, como amante de pássaros, se aventura em busca de espécies raras enquanto o garoto aproveita a oportunidade para vasculhar a ilha.

Em uma dessas viagens o garoto descobre um portal que o levou diretamente às crianças peculiares das histórias de seus avós. Contudo nem tudo foram flores, à espreita estava um perigo além da imaginação: etéreos (monstros invisíveis, que somente Jacob poderia ver) e acólitos (“evoluções” dos etéreos, que já haviam consumido almas peculiares suficientes para transcender).

De certo, eles atacaram o orfanato, e por pouco “não levaram” a Srta Peregrine, que possuía o dom de manipular o tempo e se transformar em um falcão peregrino. O segundo livro começa exatamente onde termina o primeiro e, nessa história, as crianças viram-se emboscadas, sem um lar, e com uma Srta. Peregrine que não conseguia se transformar em sua forma humana novamente.

Para isso, inicia-se uma viagem entre fendas do tempo em busca de uma outra ymbryne (como a srta. Peregrine) que pudesse ajuda-los. Nesse livro descobrimos que os acólitos eram peculiares que queriam dominar o mundo e, para isso, nos dias atuais da história, estavam raptando todas as ymbrynes para a consolidação de seu plano.

Nesse segundo livro conseguimos entrar nos universos de cada personagem e os descobrimos, vivemos cada emoção em uma emocionante caçada multidirecionada (os acólitos caçavam as crianças peculiares, enquanto as crianças peculiares caçavam uma ymbryne, para ajudar a Srta. Peregrine).

O livro tem um final excepcional e surpreendente, que dá ensejo ao terceiro livro. Nesse, todas as crianças peculiares foram raptadas, exceto Jacob, menina que possui o poder de lançar chamas com as mãos (Emma) e Adison, um cachorro inteligente que possuía o dom da fala, que as crianças conheceram no segundo livro.

Emma era uma antiga paixão do Avô de Jacob e, agora, a paixão de Jacob. Eles vivem um romance desde o primeiro livro, se apaixonam mais a cada página dos livros. Apenas a título de esclarecimento, as crianças não envelhecem nas fendas temporais, por isso, cada uma tem mais de 100 anos, embora aparentem ter pouca idade.

No terceiro livro, Jacob descobre parte de sua peculiaridade quando percebe que pode dominar etéreos (os monstros invisíveis). Biblioteca de Almas começa com Adison resgatando Emma e Jacob de um trem, pelo qual os Acólitos levavam as crianças para sue covil.

A partir daí, os três percorrem Londres atual em busca do paradeiro de seus amigos, até que encontram um tenebroso local chamado “Recanto do Demônio”, onde os Acólitos tinha sua base militar.

O lugar é um covil para todo o peculiar que não seguia as regras, era uma fenda sem leis e sem saneamento público também, pelas páginas temos a nítida visão de um ser realmente um local abandona por deus, onde crianças são escravizadas, ruas cospem fogo e a água é turva e completamente insalubre.

Tudo isso se soma as casas precárias e peculiares mal-intencionados. Jacob e seus companheiros, que agora contam com a ajuda de um estranho misterioso (Sharon), no qual não se sabia até onde poderiam confiar, são apresentados ao irmão (Bertham) do líder dos Acólitos (Caul).

Os dois são irmãos da Srta. Peregrine e os responsáveis pela criação dos etéreos e dos acólitos (Caul era um deles). Nesse livro conhecemos todas as origens que ensejaram o primeiro livro, além de descobrirmos qual a rela intensão dos acólitos: encontrar a Biblioteca de Almas, onde almas de todos os peculiares que já viveram estavam armazenadas.

Bom, não preciso nem dizer que o final é eletrizante, com muita ação, lutas e guerras mágicas, criaturas que fazem os olhos brilhares e, o final, bem, é o melhor possível!

Embora provavelmente seja o final da série (acredito que tenha como continuar a saga, estou rezando para isso), ainda não é o final da alegria. Durante os três livros ouve-se falar sobre um livro maravilhoso na história, que conta as histórias do mundo peculiar, uma espécie bíblia do mundo peculiar, que se chama “Contos Peculiares”.

“Para nooooossa alegria” a linda da editora intrínseca lançou o livro nesse mês! Sim, esse livro será uma das minhas próximas aquisições, já estou ansioso para retornar a esse mundo sensacional criado por Ranson Riggs. Por fim, relembro que NESSE MÊS sairá um filme baseado no primeiro livro, que foi dirigido por TIM BURTON! Isso, chorem!

Segue a primeira música da trilha sonora, que foi interpretada pela banda Florence and the machine:

Escrito por Marcelo Marques
exclusivamente para Versificados

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