Resenha | Cinder, de Marissa Meyer

Cinder
Autor(a): Marissa Meyer
Editora: Rocco
Páginas: 448
Avaliação: 4.8
Capa: 5 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Um conto de fadas moderno

Eu odeio a Cinderela. Sério, odeio mesmo. Odeio como ela é toda inocente e faz o que a madrasta manda, odeio como canta enquanto faz isso. Odeio que ela vá numa abóbora para a festa e conheça um príncipe que, sinceramente, odeio. O cara mal aparece!

Entretanto, contra todas as certezas vindas a partir deste fato, eu amo a Cinder. E juro que meu amor por ela não vem do fato de ela ser uma cyborg, o que por si só já é absurdamente original. Também não vem da Iko, uma robô amorzinho que a ajuda. E acho que não é pelo fato de ela ser mecânica.

Marissa Meyer começa o livro com Cinder querendo trocar o pé – então tira peça daqui e dali para conseguir um pouco de alívio. Sem pé, ela é pega desprevenida pelo príncipe, que não acredita que logo uma menina pode ser a melhor mecânica da região.

Claro que eles viram amigos e claro que da amizade surge algo novo. Puro, inspirador, que os envolve. Mas esta não é apenas uma história de amor – é também sobre uma sociedade vivendo às margens de uma doença. Mais que isso, e como qualquer distopia (mesmo as criativas nesse nível), é uma crítica à nossa realidade.

Ou, no mínimo, à realidade da Cinderela. Príncipes e princesas, tratamento VIP, abuso de poder, pessoas que são realmente más – o quão distante do nosso dia a dia isso é? Consegui ver ironia nas falas, nas ações.

Consegui ver uma mulher no lugar da Cinder, alguém que luta pelo que pensa, sente e faz. Alguém que reconhece seus direitos e entende que, às vezes, é necessário saber jogar o jogo. Tudo faz da história algo especial: não só os detalhes, mas o contexto completo.

Marissa torna as personagens complexas o suficiente para nos manter entretidos com a história, com uma narrativa na qual fato leva a outro fato e, quando notamos, estamos em um mundo novo, vivendo experiências novas. Sabemos até quando as pessoas estão mentindo!

A única reclamação que tenho diz respeito à diagramação. Costumo ler à noite, antes de dormir – imaginem a desgraça para ler naqueles dias mais cansativos por causa do tamanho pequeno da letra? Quanto à história, só guardo amores.

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