Resenha | Crave a Marca, de Veronica Roth

Crave a Marca
Autor(a): Veronica Roth
Editora: Rocco
Páginas: 480
Avaliação: 4.3
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 3

Nesse novo universo criado por Veronica Roth, as pessoas são ligadas por uma força chamada corrente. Ela basicamente interconecta toda a sociedade, além de ser usada em armas e máquinas. É também por causa dela que cada humano tem um dom, incluindo Akos e Cyra. Eles são de cidades-nações distintas que estão em guerra entre si.

Isso principalmente porque o irmão de Cyra é um tirano que usa o dom da menina ao seu favor. Ela, acostumada a sentir dor o tempo todo e com o poder de transmitir dor a quem toca, é sua arma. O dom de Akos, por sua vez, é muito mais incomum, e o faz ficar ao lado da menina a todo momento – o que ele não gosta muito, a princípio, porém aceita quando percebe que ela pode ser sua chance de salvar Eijeh, seu irmão.

O que começa com um natural ódio – afinal, ambos cresceram acreditando que o outro era a própria imagem do errado – acaba se transformando numa improvável, mas verdadeira amizade. Uma conexão que, no final das contas, vai para além disso e faz surgir um romance que, na minha opinião, consegue ser suficientemente maduro e que claramente não é o foco do livro. Juntos, eles vão descobrir que o grupo de insatisfeitos com o irmão de Cyra não é pequeno e uma revolução está se formando, contando os dias para estourar.

Crave a Marca é narrado sob a visão das duas personagens principais, o que dá ao livro uma dinâmica um pouco melhor e interessante. Não acho que a autora conseguiu apresentar o universo de forma eficiente (e aqui fica impossível não comparar à saga Divergente, cuja apresentação me deixou fascinada enquanto essa apenas me fez pensar em abandonar o livro), então o início foi bem difícil de ser lido. Eu simplesmente não conseguia me envolver com o que estava sendo contado.

Este foi, inclusive, meu maior problema. A narrativa, sob qualquer um dos pontos de vista, não me foi exatamente atrativa. Apesar do óbvio talento da autora para criar universos diferentes dos que estamos acostumados, não fui capaz de sentir simpatia especial por qualquer uma das personagens. Lia como se observasse, imparcialmente, todo o desenrolar da história. E admito que nada disso foi facilitado diante da confusão para entender o universo pensado pela autora.

O ponto positivo está no fato de que a todo momento algo está acontecendo, então naturalmente encerramos os capítulos curiosos para o que vai acontecer no próximo. É isso, basicamente, que sustenta todo o livro. Até porque algumas cenas são particularmente bem desenvolvidas, então é possível que sintamos um pouco da tensão do que está acontecendo e entendamos as consequências de várias ações.

A edição da Rocco está incrível. A capa, adaptada do lançamento internacional, é simplesmente linda. E tudo funciona a favor da leitura: espaçamento, tamanho, tipo de fonte, divisão por partes. Achei também que o livro teve uma boa revisão, poupando-me de (mais) distrações. Infelizmente, entretanto, não foi um livro que me encheu os olhos – ou o coração. E fiquei sim decepcionada.

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