[Resenha] Diga aos Lobos que Estou em Casa, de Carol Rifka Brunt

Diga aos Lobos que Estou em Casa
Autor(a): Carol Rifka Brunt
Editora: Novo Conceito
Páginas: 464
Avaliação: 4.2
Capa: 4.5 Diagramação: 3.5 Conteúdo: 4.5

Sobre amores e perdas

Acabei de ler este livro e sinto como se tivesse ganhado na loteria. Já não se escrevem bons livros como antigamente e, após ler este, estou totalmente em êxtase, sem exageros! Sensível, lindo, apaixonante… Essa três palavras descrevem perfeitamente o que representou pra mim a leitura de “Diga aos lobos que estou em casa“.

São os anos 80, ainda não se sabia quase nada sobre AIDS, quais as formas de contágio, como evitar que a doença passasse de uma pessoa à outra.

E é para “ela” que June perde Finn, seu tio, a pessoa que ela mais ama no mundo. A partir desta perda é Carol Rifka Brunt constrói a trama desse livro belíssimo.

Questionamentos sobre a vida, sobre o amor de um jeito não romântico (do tipo pombinhos apaixonados, nas palavras de Finn) — aquele entre irmãos, entre parentes mais próximos —, sobre o amor “errado” e sobre ciúmes, sobre como ele modifica as pessoas e as torna egoístas.

Após a morte de Finn, June vai descobrindo que as pessoas escondem muito mais do que deixam transparecer. As palavras que não se diz, os sentimentos que se joga pra debaixo do tapete, fazem sim a diferença na vida de qualquer pessoa.

“E, de qualquer maneira, eu entendia exatamente como ela se sentia. Conhecia a maneira como chances perdidas podiam ser perigosas, como elas podiam transformar uma pessoa em alguém que ela nunca pensou que seria.”
– Pág. 414

E, sim, como parece, não é um livro com grandes reviravoltas, mas é uma história tão bem desenvolvida que não faz diferença se algo novo é ou não jogado à cada capítulo: as 464 páginas parecem nada, viram-se sozinhas e quando você vê, seu coração está tão partido quanto o de June.

Cada personagem é tão bem construindo que você sente empatia por todos: a mãe, o pai, a irmã, o tio (ausente, claro, mas presente em cada linha. Impossível não apaixonar-se — literalmente, eu diria! — por ele.) e até do dito “assassino”. Não me lembro da última vez que tive uma leitura tão verdadeiramente prazerosa.

É verdade que o tema “perdas” não é exatamente original, mas tornou-se interessante porque a autora soprou vida em seus personagens.

“Eu costumava pensar que talvez quisesse ser falcoeira e agora tenho certeza disso, porque preciso descobrir o segredo. Preciso descobrir como fazer as coisas sempre voltarem para mim, em vez de sempre irem embora voando”.
– Pág. 451

Enfim, o que mais dizer? Se você procura uma leitura tranquila, mas verdadeiramente tocante e pra não esquecer, este é o livro. Leia-o!

Por Janaina Barreto
exclusivamente para Beletristas. Proibida cópia total ou parcial

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6 comentários

  1. Caline em

    Oi Jana *-*

    Tive sérios problemas com esse livro. Não que ele seja ruim, não mesmo, é só que é uma história triste e eu sempre ficava um pouco deprimida a cada vez que decidia ler, por isso foi uma leitura longa de quase quatro meses.
    Eu jurava que a irmã de June tinha algum problema, que em algum momento surgiria uma revelação sobre algo ruim que aconteceu com ela, mas foi solidão e muita birra. Que menina nojenta!
    Toby é muito <3 ele amava June do jeito dele e só pelas coisas que o Finn contava.
    Como você disse não é um livro com grandes momentos, é uma história bem linear, mas doce e delicada, sensível e tocante.
    Não se tornou meu favorito, mas tem uma bela e emocionante história.

    Beijos

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    1. Jana em

      é muito triste mesmo 🙁
      mas essa delicadeza me tocou demais. amei mesmo ?

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  2. Paulo em

    Só pelo título do livro já achei interessante, agora lendo seus comentários a respeito fiquei muito interessado em ler, vou ter que comprar

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    1. Camille Labanca em

      Espero que goste!

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  3. jonathan em

    Nossa você me deixo curioso por esse livro já quero ler beijos

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