Resenha | Dois Irmãos, de Milton Hatoum

Dois Irmãos
Autor(a): Milton Hatoum
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 198
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Irmãos gêmeos. Idênticos fisicamente, porém, com personalidades completamente opostas. Omar e Yaqub tinham tudo para ser unidos, mas desde seu nascimento é nítida a diferença entre os dois; enquanto Yaqub nasceu saudável, cresceu forte, inteligente e obediente, Omar nasceu doente, sem paciência para os estudos, extremamente desobediente e irresponsável. Além de tudo isso, ele também foi mimado e preferido por sua mãe.

Os dois irmãos nunca se derem bem, mas o estopim dessa discórdia só aconteceu durante sua adolescência, quando Omar flagrou Yaqub junto a uma garota por quem ele sempre foi apaixonado. O garoto ficou furioso e agrediu o irmão com um caco de vidro que acabou por deixar uma cicatriz.

Depois desse trágico episódio, seus pais, Halim e Zana, um casal de libaneses, resolvem mandar Yaqub morar com parentes no exterior, pensando que assim as brigas entre os filhos iriam acabar. Mas eles estavam completamente enganados, pois o tempo e a distância só serviram para alimentar a rivalidade entre os dois e o ódio de Yaqub.

Quem lê a sinopse de Dois Irmãos vai, inevitavelmente, pensar que se trata simplesmente de um livro sobre a rivalidade entre irmãos. E embora esse seja o pano de fundo dessa história, por trás desse tema existe algo muito mais complexo; essa é uma obra que retrata, desde o início a relação de um casal apaixonado e sua total falta de ordem quanto aos filhos.

Durante a leitura tive muita dificuldade de aceitar a personagem de Zana e seu comportamento, por proteger tanto Omar, enquanto deixava o Yaqub aos cuidados das empregadas; e também de Halim, por sua incapacidade de contrariar a mulher, e de ter pulso firme com o filho rebelde, e também sua falta de afeto por ambos. Para falar a verdade nenhum dos personagens, me passaram nem um pouco de empatia, infelizmente.

O livro é narrado em formato de memórias contadas pelo filho da empregada, Nael, através do que ele ouve falar e lembra da história dos gêmeos. Ele não é muito apresentado durante a narrativa, só no fim da história o conhecemos mais a fundo. Toda a sua vida é rodeada de muito mistério, pois não se sabe quem é seu pai, a única coisa que é revelada ao leitor é que se trata de um dos gêmeos, e confesso que a revelação sobre qual dos dois seria, me surpreendeu, ainda mais por saber das circunstâncias em que o garoto foi gerado.

A narrativa é bastante confusa, ora no passado, ora no presente, e isso fez com que fosse um pouco difícil de entender a história, mas a escrita do Miltom Hatoum é tão surpreendente, que não consegui desgrudar por muito tempo e acabei me apaixonando completamente por essa história e principalmente pela forma simples, mas ao mesmo tempo poética com que o autor nos passa cada momento e e essência de cada personagem apresentado.

Outra coisa que me deixou apaixonada, foi a ambientação escolhida pelo Hatoum; o livro se passa todo em Manaus, da década de 1940 até 1960; nunca li nada com ambientação em Manaus e achei essa experiência maravilhosa, tudo é detalhado tão perfeitamente que me senti imersa na história, como se estivesse vivendo junto com os personagens.

Enfim, essa é uma leitura mais que recomendada, sem dúvida nenhuma.

Resenha por Maria Eduarda Marques
Exclusivamente para Versificados

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