Resenha | Enclausurado, de Ian McEwan

Enclaururado
Autor(a): Ian McEwan
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 200
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Quem já teve contato com o trabalho de McEwan anteriormente já sabe: o homem é genial. Não somente por suas criações literárias, mas principalmente por sua escrita impecável, narrativa que conquista o leitor já nas primeiras páginas. Seu mais recente lançamento no Brasil pela Companhia das Letras, Enclausurado, carrega consigo todos esses elementos que já fazem o leitor conhecedor de McEwan desejar fervorosamente o livro. Contudo, agora, o autor também traz aos leitores um diferencial que chama atenção desde o princípio: o narrador.

Narradores incomuns já foram abordados na literatura anteriormente. Quem não se lembra de Brás Cubas, narrando suas memórias após sua morte? Ou então a própria Morte narrando a trajetória de Lisel Meminger durante a Segunda Guerra em A Menina que Roubava Livros? Agora, McEwan faz uso de um narrador também peculiar para narrar a história de uma mulher no terceiro trimestre de gravidez que planeja o assassinato do próprio marido e pai de seu filho com o amante que é também seu cunhado.

A premissa, inspirada em Hamlet de William Shakespeare, pode parecer aparentemente um simples suspense comum, mas a partir do momento em que o bebê dentro da barriga da mãe é quem faz a narrativa dos acontecimentos, a palavra comum é a última em que pensamos.

E a peculiaridade desse narrador não permanece no fato de ele ser um bebê que ainda não pôs os olhos no mundo, vai mais além. Isso porque apesar de não ser nem um recém-nascido ainda, o leitor se depara com um narrador e personagem que é extremamente adulto. Humor ácido, sacadas inteligentes e reflexões filosóficas são apenas algumas de suas características que não se isolam e são complementadas pelo fato de, além de tudo isso, ele também ser alcoólatra. O bebê simplesmente ama quando a mãe se embebeda com os vinhos das melhores safras – e até mesmo conhece todos eles.

Mas não se engane em pensar que a premissa da história terá grandes reviravoltas e acontecimentos mirabolantes. O foco de McEwan neste livro não é as tramoias de Trudy e seu amante. Ao meu ver, o autor fez uso desses elementos para apresentar inúmeros questionamentos e reflexões acerca do mundo em que vivemos a partir de um personagem que não pisou no mundo ainda. E, acredite quando digo: você vai amar tudo o que esse personagem tem a dizer.

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