Resenha | Entre o Agora e o Nunca, de J.A. Redmerski

Entre o Agora e o Nunca
Autor(a): J.A. Redmerski
Editora: Suma de Letras
Páginas: 368
Avaliação: 4.8
Capa: 5 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Liberdade em forma de romance, até a última letra.

Todo leitor sabe o que é olhar uma capa, dar uma lidinha na sinopse e querer o livro para ontem. Comigo não é diferente, e foi o que aconteceu com Entre o Agora e o Nunca comprado na pré-venda. Ele superou minhas expectativas, me fez chorar, suspirar de alívio e tremer.

Camryn tem 20 anos e um grande problema: ela não consegue chorar. Mas se você está pensando em algo fantasioso, pode esquecer, a questão é bem mais simples e realística do que parece. Algumas vezes a tristeza é tão grande que você deixa de senti-la e passa a sentir nada. Isso, absolutamente nada.

Depressão é dor em sua forma mais pura, e eu faria qualquer coisa para conseguir sentir alguma emoção de novo. Qualquer emoção. A dor machuca, mas com uma dor tão poderosa que você não consegue sentir mais nada, é aí que você começa a achar que está enlouquecendo.
— página 41

Uma situação com sua melhor amiga é a gota d’água que faltava e, para fugir de tudo o que a mantém presa, ela pega um ônibus e, após olhar algumas batatas, decide instantaneamente que seu destino será Idaho. Começa, então, uma longa viagem de ônibus a procura da liberdade.

É quando ela conhece Andrew, um garoto que está indo visitar o pai, que está nos últimos dias. A partir de uma conversa boba e, em certos pontos, engraçada uma espécie de amizade temporária, afinal, estão indo para lugares diferentes e vão ser companhia um do outro por apenas um tempo, surge.

Tenho plena consciência do jogo que Andrew está jogando consigo mesmo, sempre procurando qualquer coisa que o ajude a lidar com o que está acontecendo, mas em vão. Só me pergunto por quanto tempo mais vai conseguir continuar assim. As piadinhas fora de hora vão acabar se esgotando, e ele não vai mais saber o que fazer.
— página 137

Claro que nem todos os planos dão certo e algumas adaptações precisam ser feitas de última hora, mas o intuito da viagem não é exatamente esse? Fugir do comum e não planejar muito? A viagem guarda muitas das coisas que Cam almejava, mas suas surpresas também mudarão sua vida para sempre.

O livro de J.A. Redmerski pode parecer extremamente dramático, mas não é. Isso, naturalmente, não o impede de ser profundo e demonstrar da forma mais certeira o que realmente é a depressão e como ela faz as pessoas se sentirem.

Ninguém quer fazer as mesmas coisas que eu […] Como esse lance de viver livre e não seguir o caminho normal, sabe? Ninguém quer sair da sua zona de conforto pra fazer isso comigo, porque não é o que a maioria das pessoas faz. […] Acho que tive medo de ser eu mesma a maior parte da minha vida.
— página 174

Ele só não se pauta nisso por muito tempo, levando-nos para um caminho mais prazeroso: o da liberdade. Esse é, talvez, o primeiro ponto positivo do livro. O segundo com certeza é que Camryn não é exatamente a moça inocente e pura, mas não é a pervertida louca; é uma mistura que não cai no clichê e permite muitos momentos únicos ao longo da leitura.

Andrew, por sua vez, não é o cafajeste que a gente vê (e se apaixona) em todos os livros. E não é porque seu passado é negro e diferente. Na verdade, ele é bastante engraçado, com um sorriso fácil e muito, muito sexy sem se esforçar para ser. Ele promete a si mesmo que fará Cam aproveitar o máximo a viagem, e não mede esforços para isso: seja tomando um banho de chuva, seja trocando pneu.

Ficamos assim por horas, mal dizendo uma palavra. Percebo que esse é exatamente o lugar onde eu queria estar desde que falei com ele no ônibus aquele dia.
Infringi todas as regras… Cada. Uma. Delas.
— página 272

Personagens únicas já são o suficiente para a história funcionar, mas J.A. não para por aí, é claro. O romance mesmo quando ainda não se iniciou de fato, a troca de narradores e os detalhes que vão surgindo tornam toda a leitura simplesmente incrível. Sabemos quando a autora quis ser má e sentimos nosso coração apertado, mas suspiramos e sorrimos compartilhando aquele momento.

É se envolver do início ao fim, sem querer parar um minuto sequer. É fugir dos clichês, mas encontrá-los de vez em quando. É se apaixonar pelo livro que se resolve nele mesmo, deixando uma curiosidade diferente pelo segundo, mas não menos ansiosa. Entre o Agora e o Nunca é um livro maravilhoso, muito bem escrito e adaptado para a linguagem jovem, o que até pode causar um estranhamento, mas que corresponde melhor à realidade.

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