[Resenha] Esc@ndalo, de Therese Fowler

Esc@ndalo
Autor(a): Therese Fowler
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
Avaliação: 4.3
Capa: 4.5 Diagramação: 4 Conteúdo: 4.5

“Não se pode culpar um tolo pelo que ele não sabe”

Anthony é um rapaz maduro e intenso para os seus 18 anos. É filho de Kim Winter, mãe solteira e professora de francês. Amelia tem 17, é uma garota inteligente, dedicada e decidida e sempre andou de acordo com os bons costumes ensinados por seus pais.

Os dois, embora vivam em mundos diferentes (a velha história garota rica se apaixona por rapaz pobre), apaixonam-se. Esses são os protagonistas da história criada por Therese Fowler.

O enredo é, em parte, baseado em fatos reais vivenciados por ela própria e um de seus filhos que foi preso sobre a acusação de Sexting, crime que, até então, eu desconhecia a existência.

Trata-se do envio — sejam imagens, vídeos ou até mesmo texto — de conteúdo erótico/sexual através de eletrônicos.

Estou com a história fresca na cabeça e, portanto, ainda não consigo acreditar na bizarrice (não sei se há melhor palavra, mesmo sabendo que foi criado a partir de algo que realmente aconteceu) dos fatos criados pela autora, principalmente se formos comparar a realidade da lei brasileira com a americana: lá, uma fagulha pode virar um incêndio. É assustador.

Esc@ndalo começa com Harlan Wilkes, pai de Amelia, acessando o computador da garota. Entre os arquivos, ele encontra fotos “pouco ortodoxas” de Anthony e, quase literalmente, explode.

Tendo a filha como pura, casta e inocente (sem ironias!), ele dá início a uma quase caça às bruxas, tentando convencer a todos, inclusive a lei, de que Anthony abusou de Amelia, da sua inocência.

Isso é dividido em três partes (ou atos) que se são alternadas entre dois pontos de vista: o lado de Anthony e o lado de Amelia.

Conhecemos ao longo das páginas, a rotina dos dois após terem as fotos encontradas. Acompanhamos a perseguição da impressa, as visitas ao tribunal, a conversa com os advogados.

É tudo realmente bem detalhado, mas não empolga tanto. A ideia, em si, é muito boa. A maneira como foi executada, entretanto, me incomodou.

Talvez por ter como cenário o teatro (os dois são atores), a autora tentou dramatizar a história de modo que lembrasse a famosa tragédia de Romeu e Julieta. A meu ver, não deu muito certo. Tanto drama e pouca ação acabaram deixando a história muito lenta, até desinteressante.

O pai de Amelia, em simples palavras, não faz nenhum sentido: é extremamente egoísta, conservador e, além de tudo, cego. Todos vêem (inclusive o leitor) que a troca de fotos foi uma iniciativa do casal, menos ele! É extremamente irritante vê-lo se agarrar a fatos sem nenhuma lógica — várias e várias vezes.

Sobre a narrativa, posso dizer que é bastante detalhista e romantizada, portanto, deve agradar aos leitores que gostam do estilo.

A leitura, por fim, é válida pela informação e por servir como aviso: cautela nem sempre é demais, uma vez que até mesmo a intimidade de duas pessoas pode ofender uma terceira.

Por Janaina Barreto
exclusivamente para Beletristas. Proibida cópia total ou parcial

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1 comentário

  1. Caline em

    Não dá pra dizer o quanto estou desanimada com essa leitura. Comecei o livro cheia de expectativas e depois de encontrar um pai tantan da cabeça perdi a paciência e larguei o livro. Preciso voltar, mas cadê a vontade? Se já estava desanimada agora então…

    Beijos

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