Resenha | Fragmentos do Horror, de Junji Ito

Fragmentos do Horror
Autor(a): Junji Ito
Editora: DarkSide Books
Páginas: 224
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

O medo é uma fronteira. Um abismo inescrutável e a sensação de que é impossível atravessá-lo ou chegar no fundo. Quando todas as luzes piscam em alerta pedindo uma parada imediata. As mãos que vão ao rosto e o corpo que se encolhe. O medo em sua essência é avassalador, paralisante.

Junji Ito é um autor de renome na literatura de horror, ainda que pouco conhecido no Brasil principalmente devido à não comercialização de suas obras em português (até agora). Felizmente para nós, a DarkSide Books resolveu nos brindar com uma coletânea das suas obras mais recentes: Fragmentos do Horror.

Para os fãs do trabalho do autor há mais um motivo para se animar: a editora disse recentemente que pretende trazer mais obras de Ito para o Brasil. (Alô Gyo e Uzumaki, estamos aguardando ansiosamente).

Fragmentos do Horror é uma coletânea de contos publicados separadamente e em revistas diferentes no período que vai de 2013 a 2014, todos depois de um longo hiato do autor. Ito estava em hiato desde 2006. Ainda que não sejam os seus trabalhos mais marcantes, com certeza são histórias de grotesco e inimaginável terror. Um terror que instila repulsa e calafrios.

É importante aqui estabelecer algumas das marcas artísticas do autor: foco no terror físico (deformações, movimentações grotescas, gore¹, etc), punitivismo exacerbado das suas personagens, contribuindo para uma sensação de um mal que persegue e massacra independente do “tamanho” do pecado cometido.

Também se inclui entidades malignas lovecraftianas, exploração de fetiches, hábitos e moralidade, transformando-os em elementos centrais de algumas histórias. Sobretudo, o traço de Junji Ito e a utilização dos quadros de maneira inteligente fornecem uma experiência visual de terror inigualável. As expressões das personagens e a construção das monstruosidades são únicas ao longo de todo o trabalho de Ito.

Com alguns altos e baixos, a coletânea é como uma volta ao ritmo. A nível de narrativa, algumas histórias não são tão boas — como, por exemplo, Futon, que abre o livro e não se desenvolve da melhor maneira — enquanto outras se destacam, e aqui cito especialmente Suave Adeus e A Mulher que Sussurra, cujos temas se desenvolvem de forma muito bem-feita e são bem explorados.

Em termos gráficos, Junji mantém sua qualidade e identidade visual de maneira impecável. Mais uma vez, elogios à DarkSide Books pelo trabalho na confecção e acabamento da edição, e também por trazer para o público brasileiro algumas obras desse autor genial.

¹ Gore é um subgênero que contém extrema violência, com muito sangue, restos mortais e vísceras, por exemplo.


Por Lucas Nóbrega Lopes
exclusivamente para Versificados

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