[Resenha] Identidade Roubada, de Chevy Stevens

Identidade Roubada
Autor(a): Chevy Stevens
Editora: Arqueiro
Páginas: 256
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 3.5 Conteúdo: 4.5

Se uma palavra pudesse descrever o livro, eu diria que essa palavra é intenso. Logo em seu início, Chevy prende a atenção do leitor com o sequestro da personagem principal, Annie.

A escrita inteira é feita como se nós fossemos a psicóloga dela, o que indica que, afinal de contas, ela conseguiu em algum momento se livrar daquela situação. Na minha opinião, a escrita sensacional fez com que a intensidade fosse passada a cada vez que a personagem nos contava o que acontecia dentro daquela minúscula casa.

Conhecemos um pouco mais do psicológico do sequestrador e, como era de se esperar, é fácil encontrar as “justificativas” da lógica para que ele tenha tomado tal atitude e tenha ritos que não consegue quebrar, mesmo sendo absurdos como ter literalmente hora para ir ao banheiro e tomar banho.

A falta de liberdade, o abuso físico e psicológico faz com que seja totalmente viável vermos a degradação da mente de Annie. Sentimos com ela, vivemos a situação com ela e somos telespectadores sobre seu resultado final. Creio que, se o livro não tivesse sido escrito pela própria personagem, ou seja, ela nos contando a estória, o terror teria sido ainda maior acima das situações vividas.

O mais incrível é que não é possível descobrir o final antes de lê-lo. Enquanto ela se esforça para se manter sã, não conseguimos imaginar como poderá sair dali. Tudo tão planejado, arquitetado, que não deixaria um furo para que ela pudesse pular a janela, sair por algum tipo de passagem secreta, nada.

Não há calendário, a hora quem controla é seu sequestrador, que sabe toda sua vida, e não perde tempo em explorar seus medos, temores, assuntos que manteve quietos. Mesmo quando há alguma aproximação, pela convivência, tudo se acaba, destrói. Annie deixa de ser Annie, tem sua “identidade roubada” para se tornar a Annie pós-sequestro.

E por quê ela? Por que ele a observava durante tanto tempo? Perguntas que, quando respondidas, deixam qualquer pessoa surpresa, e até mesmo assustada imaginando como é possível que alguém tenha, de fato, culpa sobre o sequestro.

Surpreendente, intenso e daqueles que a gente não consegue largar até ler a última linha, da última página. Acompanhamos Annie em seu melhor e pior momento, observamos as consequências, imaginamos como consegue levar a vida nessa sua nova condição e, de alguma forma, se manter sã o suficiente para contar a estória.

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