Resenha | Intrigas da Corte, de Elizabeth Fremantle

Intrigas da Corte
Autor(a): Elizabeth Fremantle
Editora: Paralela
Páginas: 400
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

Dando continuidade ao Xeque-mate da rainha, em que Katherina Parr era a grande protagonista, em Intrigas da corte, Fremantle nos apresentará aos reinados de Mary e Elizabeth Tudor, filhas de Henrique VIII. Ambas com posturas diferentes sobre a religião, sobre como comandar o reino e, sobretudo, como planejar o jogo político dentro e fora da corte inglesa.

Podemos dividir o livro em duas partes. A primeira, quando a rainha Mary governa e a segunda com a rainha Elizabeth, figura muito presente no primeiro livro de Fremantle e cuja legitimidade ao trono sempre fora descartada, pois era considerada filha ilegítima do rei após ele condenar à morte sua esposa e mãe de Elizabeth, Ana Bolena, e anular seu casamento.

Na primeira parte, entramos em contato também com a família Grey, que dentro da linha genealógica dos Tudor, tinha direito ao trono, mas caíra em desgraça principalmente por apoiar a nova fé – reforma liderada por Henrique VIII – e não o catolicismo. A rainha Mary era católica ferrenha e casou-se com Felipe de Espanha, reino fortemente católico. A perseguição aos seguidores da nova fé é abordada dentro da corte e a partir dos Grey, cuja primogênita e prima da rainha foi condenada à morte por defender a nova fé.

Como o próprio título diz, a história gira em torno de diversas intrigas, atitudes consideradas traições pelas rainhas, e tentativa das Grey de se afastarem ao máximo da corte, mas o sangue Tudor não permitia. Além da Jane Grey, a primogênita condenada à morte, temos contato com Katherine e Mary, a caçula e a mais observadora, justamente por ter uma aparência que as pessoas ao seu redor desprezavam.

Katherine, sendo a mais velha que Mary era vista como maior ameaça ao trono. A sua situação na corte piora na segunda parte do livro, momento em que a rainha Elizabeth assumiu o trono. Enganaram-se os que acharam que a morte da rainha anterior traria paz. As Grey e, principalmente Katherine, continuaram no meio das intrigas. A fama de traição na família reforçava para as rainhas que ela era composta por traidores, mesmo possuindo o sangue Tudor.

Elizabeth, retratada como aquela que governa com a razão e não com o coração, como pensavam dela, tramava estratégias e jogos para se manter no poder. A narrativa de Fremantle cria a rainha Mary como a rainha que governa pela fé católica e somente para ela e a rainha Elizabeth como uma verdadeira estrategista, além de possuir a inconstância que seu pai tinha. Ninguém sabia como devia agir, pois Elizabeth podia ficar desagradada e punia da forma como acreditava que devia.

Duas rainhas, duas irmãs, assim como as duas Grey que restaram, Mary e Katherine. Fremantle criou uma história que comporta as quatro mulheres, além da pintora Levina e amiga da família Grey. Intrigas da corte consegue ser mais poderoso que o primeiro livro por construir uma boa narrativa por trás dos mais diversos temas que permeavam a corte inglesa, casamentos, sucessões, religião, modos de governar etc. Mas, acima de tudo, consegue apresentar histórias de mulheres cujos papeis foram importantes na história britânica.

A própria autora alerta, no final da obra, que é um romance histórico, em que muitas linhas narrativas foram construídas a partir da sua imaginação. Como escritora – além do cuidado com o tratamento aos fatos históricos –, possui maior liberdade para usar sua imaginação nas lacunas deixadas pela história. Creio que um apreciador da história, após ler o segundo livro de Fremantle, terá curiosidade em fazer sua própria busca atrás da história da Inglaterra.

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