[Resenha] Lis no Peito, de Jorge Miguel Marinho

Lis no Peito
Autor(a): Jorge Miguel Marinho
Editora: Biruta
Páginas: 180
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Lis no Peito: Um livro que pede perdão.

Título e subtítulo. A melhor forma que o autor encontrou para explicar todo o seu livro em apenas uma frase. Porque é exatamente isso o que Lis no Peito faz: pede perdão. A mim, a você, ao próprio personagem.

Marco César, apaixonado por Clarice, comete um crime e pede para que um amigo seu, escritor, escreva a história para que ele consiga entender se é ou não culpado por isso.

Sabemos logo de cara que é isso que o livro vai nos mostrar, mas não sabemos o que Marco César fez, nem o motivo pelo qual ele o fez. Sabemos apenas que ele perde perdão e que o livro também o faz.

Marco César sabe que um perdão pode condenar muito mais uma pessoa porque não se varre a culpa com um castigo, e o crime fica solto e pesado como dor sem ressalva, delito da nossa própria conta, pena e até mesmo danação voluntária.

Com várias referências à Clarice Lispector, Jorge Miguel Marinho construiu uma história sobre um amor, sobre um beijo e, principalmente, sobre um perdão que pode ser que venha ou não – isso vai depender de quem estiver lendo.

E acredito que é exatamente por este motivo que ele é fácil e gostoso de ler. Simples, para ser lido com uma atenção distraída e sem julgamentos, deixando-se envolver pela leitura a cada página virada.

Achei muito interessante a forma que o autor colocou a Clarice (Lispector) como uma personagem de seu livro. Ela não é apenas citada pelo motivo de Clarice gostar de seus livros. Ela é citada no título, ela é presente na história e tem toda uma importância para que o livro seja o que realmente é.

Um dia a Clarice Lispector perguntou para o Chico Buarque o que era o amor. “Não sei”, ele respondeu, “e você, Clarice?”. “Nem eu”, ela disse e eu entendi como você possivelmente deve estar entendendo, que amar a gente pode sempre, amar não acaba nunca, é a maior vocação de qualquer pessoa e é por isso mesmo que o amor apenas existe e nada mais se pode dizer, existe e só.

Tudo sempre é voltado para algo que ela (Lispector) viveu ou escreveu e é super interessante ver como a história de Marco César e Clarice vão se envolvendo com Clarice Lispector. Isso faz com que o leitor de Lis no Peito fique um pouco curioso quanto a obra dela. Pelo menos me deixou desta forma.

Lis no Peito é um livro com o qual você precisa se envolver, mesmo com o pedido do autor logo no primeiro capítulo, para lermos distraidamente. Ele é incrível o suficiente para você não querer se sentir distraído em momento algum. Leitura de um dia. Perfeito pra quem se deixar levar e se entregar.

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1 comentário

  1. Aline T.K.M. em

    Ahhh, esse livro é a coisa mais adorável que há! Adoro os romances da ed. Biruta, são sempre muito sensíveis e não se limitam ao público infantojuvenil. Lis no Peito é justamente assim, bonito, sensível e mostra o tema do primeiro amor através de uma ótica delicada, como poucas vezes vi nos livros juvenis. Outra coisa é que o projeto gráfico do livro é incrível, me conquistou de primeira.

    Beijinhos, Livro Lab

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