Resenha | Todo Dia, de David Levithan

Todo Dia
Autor(a): David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 280
Avaliação: 4.7
Capa: 4.5 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Primeiramente: que livro!

Entrou pra lista dos favoritos, sem dúvida alguma. Todo Dia me arrebatou por completo e fez crescer em mim uma imensa admiração pelo autor. Terei espaço na minha prateleira para os livros do Levithan enquanto ele continuar escrevendo e publicando livros.

Vou utilizar o gênero masculino para me referir ao personagem principal, porque foi esse o escolhido pela editora, apesar de o autor não determinar um.

“A” é uma pessoa, não se sabe se menino ou menina, que todos os dias acorda no corpo de uma pessoa diferente, sem escolher quem e sem ter a escolha de ser uma única pessoa.

Sendo assim, durante a noite, A é transportado para o corpo de um outro adolescente da sua idade e todos os dias ele deve aprender a vida daquela pessoa, ser ela, se passar por ela. Isso acontece desde que ele nasceu e já desistiu de tentar reverter a situação, porque uma hora ou outra o inevitável acontece e ele é transportado para um outro corpo.

Sendo assim, quando A acorda no corpo de Justin, ele logo começa sua rotina de conhecer seu hospedeiro para se tornar ele. Aprende que ele é uma pessoa um pouco amarga e um tanto detestável em relação à sua namorada, Rihannon. Só que durante este dia, A se vê completamente encantado por ela e o inevitável acontece: ele se apaixona e pela primeira vez na vida, deseja ser uma pessoa só. É aí que tudo muda.

É por causa do sentimento recém descoberto que A passa a fazer algo que antes ele não se permitia fazer: interferir na vida e nas escolhas de quem ele habita no momento. Seus pensamentos estão tão centrados em Rihannon, que ele passa a encontrar meios de vê-la novamente, de conversar com ela, tocá-la e tentar tornar real a esperança que ele carrega consigo, de que tudo ficará bem.

Por ter essa habilidade incrível – e quase sobrenatural, acredito -, A passa por diferentes situações, sejam elas boas ou ruins, variando de acordo com a vida de cada “hospedeiro” que ele habita.

Por conseguinte, o personagem carrega uma gama inacreditável de sabedoria e percepções do mundo que muitos de nós talvez ainda não tenhamos tido, além de dotar considerações em relação aos outros – devido ao fato de ter conhecimento das dificuldades e limitações de algumas pessoas as quais já habitou -, que me espantou no bom sentido. É muito raro conhecer pessoas com esse grau tão elevado de pureza.

O livro já é emocionante por si só, por sua história, seu desenvolvimento e seus personagens, mas David Levithan utiliza de uma escrita leve, romântica e quase poética que capta a atenção e prende o emocional do leitor.

Apesar de toda a subjetividade e complexidade da vida do personagem principal, cada acontecimento parece ter sido extremamente bem analisado para que não houvessem confusões e para que convergissem para um final coerente, tocante e emocionante.

A traz ao livro o seu toque único de leveza, tranquilidade e profundidade. Lendo Todo Dia, compreendi coisas que antes não me eram perceptíveis, notei que as pessoas podem ser sempre melhores do que elas são, ri, chorei e torci pelo personagem principal. Se alguém estiver à procura de um romance jovem adulto bonito e reflexivo, diferente dos que estamos acostumados, Todo Dia será minha primeira indicação.

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4 comentários

  1. Babi Lorentz em

    Todo Dia é aquele tipo de livro que todas as pessoas devem ler um dia. Acho incrível a forma que o autor consegue falar sobre todos os assuntos: preconceito, bullying, homossexualidade… Ele é smplesmente perfeito pra falar sobre isso. Além disso, criou A como um personagem incrível, que fez algo maravilhoso ao pensar na pessoa que ele amava antes de qualquer outra coisa. Deu uma chance a ela de conhecer alguém melhor que Justin e poder ficar com ele… Achei isso lindo! Uma atitude maravilhosa.
    Beijos.

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