[Resenha] Mal Intencionados, de Geyme Lechner Mannes

Mal Intencionados
Autor(a): Geyme Lechner Mannes
Editora: LP-Books
Páginas: 326
Avaliação: 3.5
Capa: 2.5 Diagramação: 3 Conteúdo: 5

Um livro sem tempo, que responde perguntas que serão sempre perguntadas.

Mal Intencionados começa contando a história de Tomás, um garoto cuja vida sempre esteve envolta em preconceitos (como, por exemplo, o fato de ter nascido muito pequeno e feio ser responsável por uma espécie de má popularidade na vizinhança).

A dependência extrema da mãe e uma paixão a ponto de querer beijá-la nos lábios o faz tomar atitudes que o afastam do pai, que ainda tenta se aproximar dele, e visam afastá-lo de seu ser mais precioso, cuja atenção deve (para ele) ser total e absoluta voltada para Tomás: Ana, sua mãe.

Causas e consequências levam a separação do casal que lutou tanto para estar juntos. Ana, agora, se vê sozinha e obrigada a dar à Tomás um exemplo de homem – afinal, não quer que ele seja gay no futuro por sua culpa – e leva para casa Damião, um homem cujo histórico é desconhecido por boas razões.

Geyme passeia pela história dos personagens, não se preocupando em explicar o que os fez ser quem eles são, mas sim mostrando os fatos que fazem deles, pessoas com erros e acertos. Durante a leitura, fui pega de surpresa com vários desses fatos, recriando imagens dos personagens mesmo quando achava que já sabia quem eles eram.

Não é um livro com uma história linear, que você consegue ir imaginando os passos os personagens um seguido do outro, até o seu fim. Pareceu-me mais como uma sessão de fotos animadas, com momentos que, juntos, formam uma história crítica e cheia de denúncias à sociedade.

Ao longo da leitura eu tive a impressão de que, se escrito por outra pessoa, poderia se tornar apenas um clichê que tenta piorar tudo do ser humano. Todavia, Geyme escreve de forma tão diferenciada, tão incrível, que sua crítica tem vida, forma e verdade. É real. E seu livro não tem como ser menos que excelente.

Mal Intencionados, sem dúvida, é um livro que responderá perguntas mesmo após muitos anos de sua publicação. Nada me faz duvidar disso, nem uma linha sequer.

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