[Resenha] Malícias e Delícias, de Tara Sivec

Malícias e Delícias
Autor(a): Tara Sivec
Editora: Valentina
Páginas: 304
Avaliação: 3.5
Capa: 2 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 4

Um livro sem meias palavras ou delicadezas

Quando me rendi ao livro, não imaginei que fosse encontrar Claire, a personagem principal, sendo virgem quando estava na faculdade. E se por um segundo achei que o romance fosse ser similar a qualquer outro, foi esse – e o achismo começou e parou nesse segundo.

Isso porque, desde o primeiro parágrafo, percebemos que Claire não é exatamente delicada e um amorzinho de pessoa: ela é direta, irônica e sem papas na língua (odeio a expressão, mas não achei uma melhor para passar exatamente o que penso). Ela não tem uma história romântica de como perdeu a virgindade ou o quão maravilhoso foi ter engravidado logo nessa primeira vez e assumir um filho depois.

Por sinal, esquece qualquer idealização. Seja em um romance, seja no período de gravidez ou sobre ter um filho. Aquela coisa linda, bonita e felicidade extrema de quando você vê seu filho nascer (pelo menos é o que todos dizem) é traduzido pura e simplesmente no fato de que ela olhou para o próprio filho e pensou: “ele é feio”.

Malícias e Delícias é o nome de uma loja que Liz, amiga de Claire, decide abrir. E tem tudo a ver: metade da loja é Sexy Shop e outra metade é confeitaria. E a vida segue: ela com seu filho, trabalhando na loja, numa rotina tão tranquila quanto possível quando Carter aparece na cidade. Carter, o pai. E é claro que isso muda tudo.

O que mais gostei no livro foi do quanto Claire fala o que pensa sem se importar muito com quem está ouvindo. Ela é diferente das mocinhas, é engraçada sim e, se no início pode até mesmo parecer meio forçada, aposto que apenas fala o que todas nós pensamos em algum momento de nossas vidas.

O jeito da autora de descrever situações, explorar relacionamentos e mostrar a realidade é único e extremamente real. Foi inevitável rir de algumas situações ou pensar o quanto uma delas estava próxima de algo que já vivemos no dia a dia.

Acho que esse é o grande trunfo da história: o quanto ela é real, sem perder a ironia de absolutamente nada. E isso não vale só para Claire – todas as personagens tem sua cota de realismo. Mesmo quando um pouquinho idealizadas.

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