[Resenha] Mar da Tranquilidade, de Katja Millay

Mar da Tranquilidade
Autor(a): Katja Millay
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Avaliação: 4.3
Capa: 3.5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4.5

Romance de estreia de Katja Millay e publicado no Brasil em 2014, Mar da Tranquilidade aborda os traumas de Nastya, uma adolescente que aos quinze anos foi vítima de uma espécie de violência que a privou daquilo que mais amava, fator que mudou sua vida drástica e definitivamente. Agora, em resposta às lembranças do ocorrido, a jovem decide mudar-se com a tia a fim de afastar-se dos pais e da agonia que ela causa à sua família com sua resposta aos danos que sofreu: Nastya não fala uma única palavra e fecha-se em seu mundo particular de reclusão.

É quando começa a frequentar a nova escola que ela se depara com Josh Bennet, um garoto que misteriosamente possui uma espécie de campo de força ao seu entorno: ninguém se aproxima dele. Isso fascina Nastya desde o primeiro instante porque, seja lá o que o rapaz utiliza para repelir as pessoas, ela também deseja ter esse poder.

Josh Bennet também possui seus demônios do passado, mas isso não é segredo para ninguém já que desde bem novo todas as pessoas que ele mais ama foram aos poucos sendo excluídas de sua vida até que agora, aos 17 anos, ele vive sozinho levando adiante seu hobby com marcenaria na garagem de casa. Só que sorrateiramente, Nastya e Josh aproximam-se e descobrem juntos tipos de superação que nenhum deles imaginava.

Mar da Tranquilidade é um livro extremamente tocante e profundo. A narrativa em primeira pessoa intercalada entre a personagem de Josh e de Nastya aproxima muito o leitor das problemáticas da vida de cada um deles, além da maneira poética e intensa que Katja utiliza para atingir o íntimo do leitor.

É impossível não emocionar-se com o decorrer da história e compadecer-se pelas personagens. Ainda, a escrita intercalada da autora auxilia o leitor a aproximar-se também das personagens secundárias da obra que tornam-se tão igualmente cativantes aos protagonistas que é impossível escolher um personagem favorito. Ainda assim, ouso a arriscar que o meu palpite vai para Josh que me conquistou com sua franqueza e objetividade. Ele é daquelas personagens que vão direto ao ponto.

Por outro lado, ainda que eu tenha compreendido e aceitado a condição de Nastya, não pude deixar de me irritar com suas atitudes impensadas e egoístas. Para mim, ainda que sua situação seja extremamente delicada e complicada, tal fato não justifica ela se sentir no direito de machucar as pessoas ao seu redor. Contudo, não sinto como se a história houvesse decaído por conta dela, pelo contrário, Nastya é o gás que todo o desenvolvimento do livro pede.

Em seu primeiro livro de estreia, penso que Katja fez um trabalho incrível, que realmente toca e emociona quem lê. Surpreende, ainda, ao mostrar ao leitor que nem tudo é da maneira que enxergamos através de suas personagens. Estereótipos e pré-conceitos são caídos por terra e conceitos são refeitos quando conhecemos as pessoas por trás de suas máscaras ao longo da obra. Recomendadíssimo!

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