Resenha | Mas Você Vai Sozinha?, de Gaía Passarelli

Mas você vai sozinha?
Autor(a): Gaía Passarelli
Editora: Globo Livros
Páginas: 176
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Tem livro que nos encanta pela capa. Outros, a gente lê a sinopse e pronto: sabe que vai gostar. Às vezes, é só o nome do autor. E, não tão raras vezes, é o título que encanta. É imediato: a gente lê e sabe, aquele livro tem que cair nas nossas mãos.

Mas Você Vai Sozinha? foi desses. A capa é linda, a autora é conhecida de um bom público e a sinopse é promissora, mas foi o título que me fez decidir ler. Porque, mesmo só tendo viajado uma vez inteiramente sozinha, eu já ouvi essa frase inúmeras vezes.

Hoje mesmo, por sinal. Tem um lugar específico nesse belíssimo Rio de Janeiro que me encanta. A vista é linda, chegar lá me faz dar uma boa caminhada e o sentimento de paz que me toma – todas as vezes – é indescritível. É o lugar perfeito para mim. É onde tudo volta para o seu lugar e eu posso respirar.

E eu quis ir sozinha. E eu precisava tanto desse conforto, que, se tivesse sol, teria ido – sozinha. Quem soube, perguntou: mas você vai sozinha? Acabei optando por cinema. Simples, básico, rotineiro, mas… “você vai sozinha?”. E, ainda que isso não tenha absolutamente nada a ver com o livro, me fez criar uma simpatia imediata com ele.

Para você entender um pouco mais, Gaía Passarelli é jornalista musical e escritora de viagem. Foi VJ da MTv e apresentadora em projetos para o Google e a Rede Cultura. Por fim (mais ou menos), ela escreve nesse blog aqui. Ela viaja. Muito. Sozinha.

E seu livro é exatamente sobre essas viagens. Ela conta sobre como começou esse interesse por rodar o mundo e conhecer novas culturas e pessoas, e acaba, naturalmente, falando sobre ser mulher em lugares desconhecidos, com riscos e pessoas desconhecidas.

Ela esclarece desde o princípio: este não é o livro que vai dar um passo a passo sobre como você pode se encontrar ao partir numa aventura. Ele não ensina métodos para ser “cool” em qualquer lugar e a qualquer hora. É sobre acabar com as desculpas que a gente sempre dá para não fazer as coisas e ir viver a própria vida.

De fato, o livro cumpre o que promete – ainda que, naturalmente, dê ótimas dicas para quem quer ir para determinados lugares e acabe falando um pouco sobre autoconhecimento, expectativas e frustrações. Bastante, aliás. Isso, entretanto, não o torna um livro de autoajuda. É um livro de experiências.

Mas, ei, não espere uma biografia. Ainda que os textos sejam extremamente pessoais, a escrita fluida nos permite rir e se emocionar como qualquer livro de ficção. Ela contagia, mesmo que você não exatamente se identifique com o que está escrito.

Isso aconteceu comigo, por exemplo, no texto “A aliança águia-condor”. Imaginar a situação foi, claro, engraçado, mas a carga emocional me faz dar uma pausa na leitura e pensar que eu entendo um pouco daquilo. Do peso e da leveza que nem sempre vem em seguida, mas que, inevitavelmente, nos muda um pouquinho.

Foi impossível também não deixar sair aquele sorriso de canto de lábio ao ler “Perdidos nas montanhas de Itatiaia”, quando a autora fala sobre como (adivinha!) se perdeu em meio a uma trilha e o desfecho para que, junto com outras três pessoas, acabasse se achando em plena montanha.

A leitura é rápida, tranquila e com um tom meio irônico, meio engraçado e meio de aprendizado que permeia todos os textos. A edição ficou linda: o livro é todo colorido e conta com ilustrações de Anália Moraes que dão um toque extra na mudanças dos capítulos.

A fonte é grande, facilitando a leitura, e a diagramação como um todo está impecável. Sozinha ou acompanhada, o livro encerra deixando mesmo aquela vontade de simplesmente ir. Desculpas sempre vão existir, o momento nunca será o ideal… Mas que tal só fazer as malas e ir? Seja para onde for. Seja por quanto tempo for. Seja sozinha ou acompanhada.

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2 comentários

  1. Karin Paredes em

    Olá Camille!
    Também li esse livro e achei a proposta da Gaía.
    Também curti muito o livro e acho que autora conseguiu alcançar o propósito do livro de forma certeira:
    Não é cansativo, não dita regras e dá toda liberdade de reflexão a partir das experiências vividas na viagem.
    Mil beijos

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    1. Camille Labanca em

      É exatamente isso! <3 Esse livro me pegou de jeito e acho que, tanto pelo conteúdo quanto pela apresentação, ele arrasa em todos os sentidos.

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