[Resenha] Na Sua Pele, de Jay Crownover

Na Sua Pele
Autor(a): Jay Crownover
Editora: V&R
Páginas: 328
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 3

Shaw é o oposto de Rule – pelo menos na aparência. Ele tem um moicano colorido, o corpo é repleto de tatuagens e é alto, bem alto. Ela é loira de olhos claros, baixinha, pele sem uma tatuagem sequer e usa colar de pérolas. Shaw e Rule se conhecem há cinco anos, e nunca foram de conversar.

Isso porque Shaw “pertencia” ao irmão gêmeo de Rule, Remy, que faleceu há algum tempo – fato que ninguém pareceu superar muito bem. Todo domingo ela passa na casa dele e o arranca da cama para que juntos visitem os pais dele, a segunda família dela.

Só que, naquele domingo específico, um simples almoço na casa dos pais sai extremamente errado e, pela primeira vez, ambos parecem se entender. O silêncio no carro parece não ser tão incômodo e, na verdade, um parece se apoiar no outro para passar pelo momento difícil.

Eles voltam a se encontrar uma semana depois, quando Rule vai para o bar com alguns amigos e descobre que Shaw trabalha lá. E é claro que ela precisou estar com roupas coladas e extremamente curtas para ele perceber que ei, ela não é nada mal afinal de contas.

Bom, para início de conversa, Rule é um babaca. De verdade. Não estou falando necessariamente do humor explosivo dele, algo que posso entender bem, nem do fato dele fazer o tipo que fica com uma mulher para dispensá-la horas mais tarde. Isso eu já esperava.

O que eu não esperava é que ele fosse, de verdade, um babaca. E mais chato que a Shaw. Em geral, gosto muito de livros contados pelo ponto de vista masculino – é mais prático e, mesmo quando há momentos de dúvida, tem uma lógica por trás de toda e qualquer ação, uma lógica que faz sentido.

Na Sua Pele alterna capítulos e quem assume essa postura é Shaw, enquanto Rule divaga o tempo inteiro sobre o que sente, não sente, poderia vir a sentir, o quanto foi abandonado e, em suma, passa o tempo inteiro se fazendo de vítima.

Também não acho que, por ele ser homem, a escrita tem que ser tão… Ruim. Entendo palavrões e gírias, mas não gosto que seja isso o capítulo inteiro. Fica cansativo de ler e passa uma ideia bem imatura da personagem. Já Shaw, bom, ela teve seus momentos difíceis, mas consegue lidar com eles e seguir em frente.

O relacionamento dos dois me deixou intrigada e definitivamente foi o que me fez não querer abandonar o livro e lê-lo rápido. No final, entretanto, uma situação só me fez revirar os olhos e pensar: “sério que a história vai ter mais quarenta páginas só por isso?”.

A leitura, é claro, não foi de toda ruim. As falas e o desenvolvimento não exatamente me conquistaram, mas gostei do que Rome (irmão de Rule), Nash (melhor amigo dele) e Ayd (melhor amiga de Shaw) prometeram ser. Foram interessantes e, ainda que Rome tenha me dado vergonha no último capítulo, acho que todos tem potenciais para boas histórias. Cora foi provavelmente a melhor personagem dali.

É um new adult clichê, sem grandes reviravoltas – pelo menos não que você não consiga adivinhar. Mas não posso negar que li direto e o dedo coçava para pegar o livro e continuar a leitura, mesmo que, bem, acredite que isso se deu só pela química de Rule e Shaw, quando não estavam ocupados atrapalhando o relacionamento.

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1 comentário

  1. Ana Silva em

    Adorei esta resenha, vou ler este livro.

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