Resenha | O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf

O Árabe do Futuro
Autor(a): Riad Sattouf
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Avaliação: 4.5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 3.5

Antes de qualquer coisa, preciso esclarecer que meus conhecimentos a respeito do Oriente Médio são, no mínimo, superficiais. As críticas que me fizeram querer esse livro abordavam uma perspectiva política/social/religiosa que não será trabalhada aqui exatamente por esse motivo. Portanto, esta resenha de O Árabe do Futuro é única a exclusivamente a respeito da produção biográfica, sem maiores debates a respeito do cenário no qual a história se passa.

O Árabe do Futuro é o primeiro da série que retrata o trabalho biográfico de Riad Sattouf, filho de um sírio e uma francesa que se mudaram para a Líbia quando o pai foi convidado a lecionar em uma universidade de lá. Com apenas três anos e cabelos loiros, a narrativa se inicia com um Riad criança que se acha o máximo.

Logo depois da mudança, a família perde a casa. Não existiam trancas, exceto as internas, e, ao voltarem de um passeio, encontram seus pertences do lado de fora, descobrindo que outra família já ocupou o lugar. Não lhes resta opção senão fazer o mesmo, e é assim que os três vão morar em um apartamento pequeno de um prédio qualquer.

Durante esses momentos, Riad conhece uma menina que se afasta todas as vezes que ele fala com ela e um garoto que praticamente está treinando para ser ditador, discursando em escadas e brincando com uma arma de brinquedo, dizendo para que os dois procurassem uma criança para matar porque seria mais fácil.

Quando a situação fica insustentável, a família Sattouf volta para França, onde Riad ganha (para sua inicial infelicidade) um irmão. E é esse contrate de pensamentos e crenças que o olhar infantil retrata. Para o leitor, entretanto, não criar juízo de valor é tarefa difícil.

Isso porque o pai de Riad se mostra extremamente racista e machista, uma imagem criada nas entrelinhas das falas dos quadrinhos, quando há uma notória transformação de pensamento. Transformação essa que se pode notar através de umas falas da mãe do garoto, que, apesar de sensata, apaga-se ao se mostrar, em diversos momentos, submissa.

Em alguns momentos, essa mudança vem de forma descarada, com o pai de Riad apoiando enforcamentos ou destacando como pontos positivos coisas que obviamente não são. É o caso de, por exemplo, se morar numa casa que não foi finalizada para que não se pague o imposto em sua totalidade.

Algumas caracterizações são muito negativas. Quando a família vai para a Síria, por exemplo, o que encontramos é um lugar sujo, com pessoas cuja melhor descrição poderia ser “porcas”, além de promover uma cultura violenta ao extremo. Uma visão que me parece bastante parcial e, portanto, não exatamente confiável.

Por fim, me chama a atenção como as cores dos quadrinhos mudam de acordo com o local onde a família está. A cor amarela, para a Líbia, parece-me ter um significado um pouco mais explícito, porém as demais não.

O Árabe do Futuro é uma graphic novel interessante, que traz informações sobre países que só conhecemos sob um ponto de vista negativo. Não sei dizer até que ponto ela é realista ou não, mas a leitura é rápida, direta e simples, com críticas e posicionamentos nas entrelinhas.

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