Resenha | O Azarão, de Markus Zusak

O Azarão
Autor(a): Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 176
Avaliação: 3.7
Capa: 4 Diagramação: 4 Conteúdo: 3

Questionamentos que geram reflexões muito interessantes.

Quando soube do lançamento do primeiro livro escrito pelo autor de “Eu Sou o Mensageiro”, logo me interessei. E, ainda que não esperasse um livro tão bom quanto o que já li, acreditava que a narrativa fosse me conquistar. O que foi me deixado claro, todavia, é que o tempo escrevendo livros levou Markus a aprimorar seu estilo e torná-lo interessante.

Muitas das características do autor estão nas páginas do livro. Seja a história não deixada às claras no início, seja pelas palavras em parágrafos, seja pela intensidade da mensagem que ele quer passar. O Azarão, infelizmente, não me conquistou, mas foi salvo pelos questionamentos da personagem principal e pela facilidade de leitura.

Cameron é o mais novo dos quatro irmãos e, a princípio, o mais sem sentido atribuído. Sarah vive com o namorado, beijando-se no sofá da sala, sem se preocupar com privacidade. Steve não precisa necessariamente lutar para conseguir algo: ele simplesmente consegue. Rube tem sua linha própria de raciocínio, amigos e é quem decide o que Cam e ele farão ou não.

Em meio a tentativas de assaltos (propositalmente) ridículas e brigas que o deixa de olho roxo, ele percebe que – quase atendendo pedidos da mãe – está crescendo. Terminando todo capítulo com a narrativa de um sonho, destaca-se um cujo Azarão está lutando contra algo que não é possível se ver, mas está na rotina de todas as pessoas.

É o ponto máximo do livro, quando esperamos que toda a narrativa vá tomar um rumo incrível que nos fará repensar nossa forma de agir e viver. Decepcionante notar que o resultado disso só estará nos próximos livros, ainda que tenha sido plantada uma semente que leva Cameron a reagir, assumir e até reforçar sua identidade.

Nesse momento, é inevitável se colocar como observador da luta, ou mesmo participante dela. Faz refletir um pouco sobre qual o nosso papel na sociedade, se é que existe de fato algum. Abre espaço para um questionamento que acaba por não se desenvolver junto à personagem, e fica perdido em meio a uma linha e outra.

É por esse questionamento, esse sonho e esse ponto máximo que vale a leitura. Claro, isso se você não for um curioso querendo saber como Zusak iniciou a carreira e entender melhor como se deu o seu crescimento no meio…

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