Resenha | O Código Perdido, de Kevin Emerson

O Código Perdido
Autor(a): Kevin Emerson
Editora: LeYa
Páginas: 352
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

Saber um pouco sobre questões de futuros distópicos, ciberpunk e cibercultura me interessam muito. Não que O Código Perdido, de Kevin Emerson, trate exclusivamente de um mundo cyber, mas trata principalmente de um mundo distante, apenas no que diz respeito ao tempo, pois todos os detalhes pensados e idealizados pelo autor são visíveis, perceptíveis e possíveis hoje, dois mil e dezesseis.

O Código Perdido é o primeiro livro de uma trilogia chamada Os Atlantes, e confesso que não tive tanta curiosidade para procurar a respeito após o término da leitura. Aliás, vale dizer que foi uma leitura muito complicada, não no sentido de “difícil”, mas no sentido de que custou a me prender, a me envolver na narrativa.

Em linhas gerais, O Código Perdido conta a história de Owen Parker, um menino que vai para um acampamento totalmente diferente dos que se veem nos filmes e histórias mais tradicionais. Esse acampamento se localiza dentro de um domo, visto que a Terra se encontra em processo cada vez mais veloz de definhamento, aquecimento global, fome e etc. Viver no planeta, na perspectiva de Emerson, tornou-se algo insustentável, quase impossível, visto que para se viver relativamente bem a humanidade deve morar nas Zonas Habitáveis, debaixo da terra, evitando contato direto com os raios solares fortíssimos, devido à destruição gradual da camada de ozônio.

Owen é um menino que passa por invisível e, sempre que podem, o apelidam de nomes não-agradáveis como “Tartaruga”, pelo que é chamado ao longo de quase toda a narrativa. A história é uma reviravolta na vida do próprio personagem, pois ele não se dá conta, no início, do que realmente é: um atlante.

Alguns acontecimentos apontam para isso logo no início da narrativa quando Lilly, uma das CETs (monitores) do acampamento se dá conta de que Owen consegue ficar debaixo d´água por quase dez minutos, feito que um ser humano em condições normais não é capaz de realizar. Aos poucos, Owen vai se descobrindo como alguém especial, diferenciado; descobre que tem guelras, mecanismo corporal que o permite respirar debaixo d´água sem dificuldade alguma.

Esse fato desperta logo o interesse da Dra. Maria, médica a serviço do acampamento, de Lilly, e também de Paul, que é uma espécie de diretor-geral do domo, e que fica atento a tudo o que se passa por lá. Paul, ao descobrir os “ferimentos” do jovem Owen (as guelras, no início, pareciam feridas na região do pescoço), se oferece para esclarecer quaisquer dúvidas e também se põe à disposição para conversar; Paul, no fundo, já sabia do que se tratavam aquelas feridas.

Esse interesse de Paul não é gratuito; havia uma lenda que dizia que quem possuísse determinado código genético, teria a chave para libertar o mundo do caos e da autodestruição repentina e rápida.

Ele queria sair como herói da história, conseguindo o código e salvando o planeta. Não é à toa que ele fica lado a lado com Sanguessuga, personagem do tipo valentão adolescente, que tira sarro da cara daqueles que não fazem seu tipo. Esse relacionamento entre os dois sempre foi motivo de curiosidade e, de certa forma, inveja por parte dos outros participantes do acampamento.

Mas, como não poderia deixar de ser, também não era gratuito: a história revela que Sanguessuga também é um atlante com determinados conhecimentos; por isso o interesse de Paul. O texto revela muitos casos sinistros que justificam a caçada de Paul ao código que o levaria à salvação: mortes e dissecações.

Para falar um pouco mais do Acampamento Éden, vale dizer que, na história, ele se localiza dentro de um domo, alheio à realidade do mundo. Lá, tudo é controlado por computador: os raios de sol, a chuva, as nuvens, o dia e a noite, tudo montado de acordo com comandos.

Há diversos outros acampamentos como esse na história, mas que não foram tão destacados. É uma espécie de refúgio do mundo desordenado e caótico, mas um refúgio passageiro, visto que a integridade do domo não está em 100%.

Além do mais, segundo os indicadores, essa integridade se desvai ao longo do tempo e, de acordo com a narrativa, em pelo menos três anos, todos os habitantes do acampamento Éden Oeste estarão mortos; daí a obsessão de Paul. Em suma, Owen possui “o código genético perdido” e tem a chave para, junto com Sanguessuga e Lilly, revelar os segredos posteriores, provavelmente presentes nos outros livros.

A história é interessante, mas muito truncada, lenta, pois é cheia de detalhes. Os capítulos que compõem a primeira parte do livro basicamente falam de como é a personalidade dos personagens; há pouca emoção e ação. Da segunda parte em diante, a história fica mais animada, com descobertas surpreendentes e incríveis que realmente prendem a atenção.

Algo que gostaria de destacar diz respeito a algumas referências externas que interpretei a meu modo, mas que, ao ler os agradecimentos do autor, pude confirmar. Na obra há traços de ficção cinematográfica, no nível de Star Wars, pois em vários momentos Owen se vê impelido a agir por uma “força” intuitiva que se comunica com ele, assim como acontece com os Jedi; até na questão de nomes dos personagens isso se nota, pois há um “Lük” no decorrer da narrativa (pegou a referência?).

Impossível não lembrar também de Indiana Jones, visto que há uma caveira de cristal escondida em algum lugar que só Owen é capaz de entender e se comunicar. E, para fechar a seção “referências”, como não lembrar da lenda de Atlântida, o reino perdido? Mesmo não gostando tanto do livro preciso dizer que essa mistura foi uma sacada genial do autor.

Para fechar, preciso falar também sobre algo que me marcou muito no decorrer do texto, que são os diálogos dos “operários” trabalhando no organismo de Owen. Quando ele está desacordado no início do livro, é como se houvesse vários trabalhadorezinhos se comunicando dentro do Owen, para fazê-lo voltar a respirar normalmente, e eles se comunicam, como fazem trabalhadores numa obra. São os trabalhadores dos pulmões dialogando com os do coração e por aí vai.

É uma literatura considerada infanto-juvenil, e talvez por isso não tenha me agradado tanto; nada contra, só não é minha preferência. Mas recomendo muito, pois apesar da ficção, o tema é bem atual e verdadeiro; sempre vale pensar sobre o futuro do planeta. E nada melhor do que misturar esse questionamento com ficção. Pode ser legal para presentear o filho, o sobrinho, o neto… e colocar a garotada a par da literatura. Boa leitura!

Resenha por Thiago Marques
exclusivamente para Versificados

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1 comentário

  1. filmes em

    Resenha muito boa e informativa completa, parabéns

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