[Resenha] O Jantar, de Herman Koch

O Jantar
Autor(a): Herman Koch
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Avaliação: 3.2
Capa: 3 Diagramação: 3.5 Conteúdo: 3

Até onde você iria para salvar o futuro dos seus filhos?

Esta foi a pergunta que ficou após o término da minha leitura de O Jantar. Algo que também ficou, foi o pensamento de que Herman Koch é um autor bastante atrevido e original, embora não tenha sido totalmente feliz ao escrever este livro. Explico: como o título sugere, trata-se realmente de um jantar, mas não um comum e tampouco agradável.

A história é dividida em algumas etapas: Aperitivo, entrada, prato principal, sobremesa e digestivo. Serge e Paul, acompanhados de suas esposas, reúnem-se num restaurante popular para discutir sobre algo terrível que seus filhos, Rick e Michel fizeram.

Nas duas primeiras partes, parece que a história simplesmente não anda. São colocadas algumas frases que instigam o leitor a continuar, deixam certa curiosidade, mas nada muito empolgante. A narrativa gira em torno de pratos e Paul demonstra toda a aversão e raiva que sente pelo irmão. Isso acaba passando um pouco para o leitor também, ou seja, não dá pra gostar de Serge.

A partir do prato principal, como era de esperar, a bomba explode e a calma aparente se retira. Toda a tensão acumulada senta em cima da mesa, bagunça os pratos, tira o apetite dos dois casais. E bem, acontece algo inesperado, levando em consideração o ritmo arrastado até então: a história muda, ganha um pouco de vida.

São inseridos alguns flashes do passado e Paul, que até então tinha limitado-se a mostrar apenas a antipatia pelo irmão, vai mostrar um lado seu que, creio, leitor nenhum vai adivinhar a existência antes que ele seja exposto, então os papéis são invertidos: quem parece confiável, pode não ser e vice-versa.

Nesse momento, a palavra que melhor define o livro da metade para o final é bizarro, embora não o suficiente para chocar o leitor — chocar de verdade, deixá-lo sem acreditar no que está lendo, querer saber como vai acabar, se o que os adolescentes fizeram vai ter alguma consequência.

E por isso repito: o autor não foi totalmente feliz, pois a narrativa lenta, cheia de detalhes, acaba distraindo muito, impedindo uma conexão real entre os fatos e quem os lê. Como livro, pra mim, não funcionou, mas levando em consideração a forma como foi construído e os temas abordados, sem dúvida daria um bom filme.

Por Janaina Barreto
exclusivamente para Beletristas. Proibida cópia total ou parcial

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