Resenha | O Livro De Memórias, de Lara Avery

O Livro de Memórias
Autor(a): Lara Avery
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Avaliação: 4.8
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4.5

Em O Livro de Memórias, Sammy está na melhor fase da vida: terminando o ensino médio, prestes a entrar na faculdade, onde estudará Direito e então seguirá sua vida em uma cidade grande.

Seus dramas seriam única e exclusivamente adolescentes se ela não se descobrisse doente. Ela tem NP-C, uma doença genética extremamente rara que promete tirar o que ela sempre considerou seu ponto mais forte: sua memória.

Isso porque é uma degenera aos poucos, e atinge o corpo por completo. Órgão e músculos vão enfraquecendo e a demência é uma sequência da qual ela não tem como fugir. Ela lida com a informação de um jeito um pouco diferente. Apesar de triste e chateada, ela começa a escrever um diário, colocando nele toda e qualquer informação que acredite ser essencial para o futuro.

A ideia é que, nos momentos mais difíceis, ela possa pegar tudo que escreveu e “lembrar” quais eram seus objetivos, vontades e passos que seguiria. É assim que somos envolvidos por seu dia a dia, aproximando-nos de seus amigos (principalmente Maddie) e família, com foco em Stuart e Cooper, dois garotos que marcam presença formando um triângulo amoroso que poderia estragar a graça do livro, mas é tão bem desenvolvido que compensa.

Lara Avery tem uma escrita leve que prende a atenção do início ao fim. Ela consegue narrar uma história naturalmente pesada de forma cativante, e é fácil se conectar com as personagens.

A todo momento nos colocamos no lugar de Sammy, pensando na sua situação e no que faríamos se estivéssemos vivendo a sua realidade. Principalmente porque Sammy não se entrega ao seu destino de forma deprimida, ela se entrega ao tempo de vida que tem da melhor forma possível, criando estratégias para que seus dias fiquem mais fáceis de serem vividos.

Claro que ela tem seus momentos, mas ela encara a dificuldade de frente — isso, talvez, seja o fator mais marcante da narrativa. É uma personagem muito forte, que não desiste. E, mais importante ainda, não é a doença que comanda a história, sua narrativa e as ações da personagem. Seus sintomas estão lá, são falados, e a autora não foge ao tema, mas sua história continua da melhor forma possível, sem se deixar conduzir pelo NP-C.

Apesar do natural endeusamento da personagem, Sammy também tem seus defeitos. Ela é humana. E foi muito legal por parte da autora deixar isso claro. Não foi um livro que me fez chorar, mas certamente ele tem uma carga emocional intensa e bem explorada. A capa e a diagramação estão impecáveis, e o livro está lindo demais. Recomendo muito a leitura de O Livro De Memórias, não tem como se arrepender.

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