[Resenha] O Presente, de Cecelia Ahern

O Presente
Autor(a): Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
Avaliação: 3.5
Capa: 4 Diagramação: 3.5 Conteúdo: 3

Tempo: o presente que todos recebemos e poucos damos valor.

E então, é verdade ou não? Alguma vez, você que está sempre ou vez por outra nas redes sociais, já não leu (ou mesmo disse) a frase “Preciso de mais tempo!” ou a irmã dela “Preciso de um dia com 36/72 horas!”? Eu, particularmente, posso dizer que já li muitas e elas não fazem parte apenas da minha vida em bytes, mas também da vida aqui fora.

Desse pensamento, vem outra pergunta: o que as pessoas têm tanto a fazer? Com que/como ela gastam seu tempo? Emprego, família, estudos? Onde estão as prioridades delas? Como fica o agora? E se não houver um depois? É a partir desses questionamentos que Cecelia Ahern começa sua história de natal.

“Você (…) acha que tem todo o tempo do mundo, mas não é assim. Nenhum de nós tem. Nós gastamos o tempo com a mesma força e indiferença que as pessoas que fazem compras nas liquidações de janeiro gastam seu dinheiro”.

Lou Suffern é um homem ocupado, acostumado a estar em dois lugares ao mesmo tempo (ou em nenhum deles realmente). Casado e pai de dois filhos, Lou, há muito deixou de ser marido e pai para tornar-se integralmente um profissional, o homem do momento em sua empresa.

É durante uma fria manhã que ele esbarra em Gabe, um morador de rua bastante observador. Lou lhe oferece um café e, pouco depois, sem saber porquê, um emprego na correspondência do prédio em que trabalha. Quando Gabe entra em sua rotina, é que a vida de Lou começa a mudar — ou acomodar-se no que deveria ser.

Mágico, mas nem perto de como foi “A Vez da Minha Vida” (confira a resenha). Esse é o segundo livro desta autora que leio e digo que fiquei decepcionada.

Estava acostumada a uma narrativa fluida (o que se manteve) e divertida, mas não foi o que aconteceu. Muitos de nós tiramos esse final de ano para pôr na balança o que fizemos ou não. O presente é mais ou menos assim, portanto, o clima de reflexão é o que toma conta do enredo, deixando-o um pouco monótono, admito.

O protagonista, ajudado por Gabe e uma série de acontecimentos sobrenaturais, vai, ao longo dos capítulos, abrir os olhos para a realidade que o cerca. Como na maioria dos seus livros, Cecelia gosta de colocar algo inusitado nas histórias e nessa não é diferente.

Entendo que, algumas vezes, é preciso deixar a realidade de lado dependendo da proposta do autor, mas desta vez não me convenceu, principalmente porque foi algo jogado na metade do livro, quando a atmosfera não caminhava nem um pouco pro sobrenatural.

O fato de Lou ser um protagonista pouco empático, creio, atrapalhou um pouco. Definitivamente, tenho problemas com pessoas “sem tempo”. Os personagens secundários também não foram lá grandes adições à história — aliás, são duas que acabam se encontrando no final.

Entretanto — e sei que não parece —, não é um livro com pontos apenas negativos: a história traz uma mensagem (ou um puxão de orelha) para aqueles que acham que o tempo está a sua disposição e isso é o que o torna válido, nem que seja um pouquinho.

A edição da Novo conceito, oportunamente, foi colocada à venda dentro de uma embalagem especial. Talvez você, assim como eu, tem seu próprio Lou, então esse presente — olha o trocadilho! — é uma forma carinhosa de presentear, alguém que assim como ele, precisa ser salvo e lembrado que não se tem todo o tempo do mundo para amar e ser amado.

Por Janaina Barreto
exclusivamente para Beletristas. Proibida cópia total ou parcial

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